Câmara articula reforma para limitar puxadores de votos e alterar sistema eleitoral
Presidente da Câmara, Hugo Motta, negocia a implementação do voto distrital misto a partir de 2034 em meio a resistências partidárias.

Foto: O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), tenta aprovar uma mudança no sistema eleitoral até dezembro - Pedro Ladeira - 10.fev.25/Folhapress · Original e licença
A Câmara dos Deputados vive um momento de intensa articulação política em torno de uma reforma no sistema eleitoral. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem conduzido conversas com lideranças do centrão para viabilizar a adoção do voto distrital misto, com previsão de início apenas para 2034. A estratégia de postergar a implementação visa reduzir a resistência de parlamentares preocupados com a estabilidade de seus mandatos.
Segundo apuração da jornalista Ana Gabriela Oliveira Lima, da Folha de S.Paulo, o debate é motivado pelo crescimento do PL, que tem se beneficiado do atual sistema proporcional. Candidatos com votações expressivas, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP), acumularam milhões de votos, garantindo a eleição de outros integrantes da legenda que, individualmente, teriam desempenho inferior. O centrão argumenta que esse mecanismo favorece figuras com forte apelo nas redes sociais em detrimento da estrutura partidária.
A proposta enfrenta um cenário de incertezas e divisões. Enquanto o PL e o Novo já sinalizaram posição contrária, o próprio centrão apresenta divergências internas, com parlamentares do baixo clero temendo perder espaço para lideranças locais. No PT, a avaliação é heterogênea: parte da sigla admite discutir o sistema misto, enquanto outra ala teme que o modelo distrital fragilize a representação do partido e abra margem para o domínio de facções em determinados territórios.
Para a transição, discute-se um modelo intermediário para o pleito de 2030, embora ainda não exista consenso sobre o formato. O debate na Câmara abrange diversas possibilidades, desde a manutenção da lista aberta até a adoção de listas fechadas ou sistemas majoritários, cada um com impactos distintos sobre o fortalecimento dos partidos e a renovação do Parlamento.
Em resumo
- Hugo Motta articula a adoção do voto distrital misto a partir de 2034 para conter o efeito dos puxadores de votos.
- O sistema atual permite que candidatos com votações massivas elejam correligionários com menos votos, beneficiando legendas como o PL.
- A proposta enfrenta resistência do PL, do Novo e divisões internas no centrão e no PT.
- Um modelo de transição para 2030 está em discussão, mas ainda carece de consenso entre os partidos.
Fonte: Folha de S.Paulo

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