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Recessão e fechamento de empresas colocam governo Milei em xeque na Argentina

Com indicadores de retração econômica e queda na popularidade, Javier Milei enfrenta cenário desafiador a menos de um ano das eleições presidenciais de 2027.

Foto: Javier Milei Crédito: REUTERS/Florion Goga · Original e licença

A política econômica de Javier Milei atravessa um momento crítico na Argentina, marcado por sinais claros de recessão técnica, retração severa no consumo e uma onda de fechamento de empresas. A estratégia baseada em austeridade fiscal rigorosa, juros elevados e abertura comercial tem gerado um desgaste crescente para o governo, que se prepara para o pleito presidencial de outubro de 2027 sob o peso de indicadores negativos.

Segundo informações do jornal Valor Econômico, a atividade econômica argentina registrou uma segunda contração trimestral consecutiva entre julho e setembro de 2026. Ricardo Delgado, diretor da consultoria Analytica, aponta que o país vive uma recessão moderada, com projeção de queda de 1,5% no PIB para o terceiro trimestre, após um recuo de 0,6% no período anterior.

O impacto no setor produtivo é alarmante. Um levantamento do centro de estudos Fundar revela que cerca de 32,3 mil empresas encerraram suas atividades entre dezembro de 2023 e julho de 2026, o que representa 6% do parque empresarial do país. Setores como têxtil, construção civil e comércio varejista são os mais afetados, sofrendo tanto com a queda na demanda interna quanto com a concorrência de produtos importados.

A crise econômica reflete diretamente na popularidade do presidente. Dados da consultoria Giacobbe y Asociados indicam que a aprovação de Milei caiu para 36% em outubro, enquanto a desaprovação alcançou 56%. Apesar da desaceleração da inflação — que recuou de cerca de 200% para 30% — a pobreza voltou a subir, atingindo quase um terço da população argentina.

Mesmo diante do cenário adverso, o governo mantém a rigidez de sua agenda. Um porta-voz oficial afirmou que o presidente não alterará o programa econômico, enquanto o próprio Milei minimizou as dificuldades enfrentadas pelas famílias. Enquanto setores como energia e mineração apresentam desempenho favorável, o consumo interno, que compõe dois terços do PIB, segue em queda, sem garantias de recuperação expressiva antes das eleições.

Em resumo

  • A Argentina enfrenta recessão técnica com dois trimestres seguidos de contração econômica.
  • Mais de 32 mil empresas fecharam as portas desde o início da gestão Milei.
  • A popularidade do presidente caiu para 36%, com desaprovação de 56% em outubro.
  • O governo mantém a política econômica inalterada, apesar da pressão dos setores produtivos.

Fonte: Brasil 247

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