Política · Economia

Governo Lula reage a ataques do mercado financeiro antes de decisão do Copom

Aliados do presidente Lula intensificam críticas à especulação financeira e reafirmam compromisso com programas sociais diante da volatilidade econômica.

Foto: O presidente do PT, Edinho Silva | Crédito: Rodrigo Chagas/Brasil de Fato · Original e licença

Em uma resposta coordenada à instabilidade dos ativos financeiros observada após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, integrantes do governo e do PT iniciaram uma ofensiva contra o que classificam como especulação e chantagem por parte do mercado. A movimentação ocorre em um momento de tensão, às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a próxima quarta-feira (4), que definirá os rumos da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

O ex-ministro Rui Costa abriu as críticas ao questionar o papel dos agentes que formam expectativas de preços, sugerindo que o setor financeiro deveria priorizar o interesse nacional em vez de buscar ganhos extraordinários. No mesmo tom, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, classificou a pressão por cortes fiscais como uma forma de chantagem que ignora a vontade popular, defendendo que o ajuste deve focar em privilégios e não em programas sociais.

Para conter o clima de incerteza, o presidente Lula utilizou as redes sociais para garantir que não haverá cortes em políticas de assistência social, rebatendo o que chamou de notícias falsas disseminadas pela oposição. A ex-presidente do PT, Gleisi Hoffmann, também reforçou o discurso ao criticar a confusão entre os interesses dos rentistas e a racionalidade econômica, apoiando-se em reflexões do economista André Lara Resende.

Enquanto o mercado aposta na interrupção do ciclo de queda de juros devido à volatilidade cambial e fiscal, o governo mantém a cautela. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou qualquer intenção de tabelamento de juros, enquanto o presidente do PT, Edinho Silva, reforçou que apenas o titular da Fazenda fala em nome da política econômica do governo. A semana anterior foi marcada por um recuo de 17,5% na Bolsa de Valores, o maior desde o início da pandemia em 2020.

Em resumo

  • Aliados de Lula denunciam especulação financeira e defendem que o ajuste fiscal não deve atingir programas sociais.
  • O governo nega planos de tabelamento de juros e reafirma que a política econômica é conduzida exclusivamente pelo ministro Dario Durigan.
  • A expectativa do mercado é de interrupção no corte da Selic pelo Copom na próxima quarta-feira.
  • O presidente Lula reiterou que não haverá cortes em programas sociais, desmentindo boatos sobre o tema.

Fonte: ICL Notícias

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