Política · Economia

Gabrielli aponta juros da dívida como entrave fiscal e defende preservação de gastos sociais

Coordenador do plano de governo de Lula contesta pressão do mercado financeiro e propõe revisão de privilégios tributários em vez de cortes em áreas essenciais.

Foto: - Lula chegando à Avenida Paulista para comemorar a vitória nas eleições presidenciais (Ricardo Stuckert / Divulgação da campanha) · Original e licença

O economista José Sérgio Gabrielli, um dos coordenadores do plano de governo para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apresentou um estudo que desafia a narrativa predominante no mercado financeiro sobre o ajuste fiscal brasileiro. Segundo o ex-presidente da Petrobras, o verdadeiro gargalo das contas públicas não reside nos investimentos sociais, mas no custo da dívida, que atingiu R$ 1,2 trilhão em 12 meses até agosto de 2026, montante equivalente a 8,9% do PIB.

Em contrapartida, o déficit primário do Governo Central no mesmo período foi de R$ 82,1 bilhões, ou 0,62% do PIB. Para Gabrielli, a pressão por cortes orçamentários em setores como saúde e educação, intensificada após a vitória de Lula, ignora que os juros da dívida representam uma transferência direta de recursos estatais para detentores de títulos públicos, majoritariamente ligados ao sistema financeiro.

O estudo propõe que, em vez de promover um 'tesouraço' em direitos sociais, o governo foque na revisão de privilégios tributários. O economista destaca que as renúncias fiscais estimadas para 2025 somaram R$ 544,5 bilhões, valor significativamente superior aos investimentos federais executados no mesmo período. A proposta é realizar um inventário rigoroso desses benefícios, eliminando apenas aqueles que se mostrarem regressivos, redundantes ou ineficientes.

Gabrielli também alerta para a necessidade de uma melhor coordenação entre a política fiscal e a monetária. Ele defende a criação de mecanismos mais amplos de diálogo para evitar que a manutenção de taxas de juros elevadas pelo Banco Central continue a inviabilizar o crescimento econômico e a elevar o custo da dívida, comprometendo a capacidade de investimento do Estado.

Em resumo

  • Os juros da dívida pública somaram R$ 1,2 trilhão em 12 meses, superando drasticamente o déficit primário de R$ 82,1 bilhões.
  • O plano de governo descarta cortes em programas como Bolsa Família, BPC e pisos de saúde e educação.
  • A estratégia fiscal prioriza a revisão de renúncias tributárias e o combate a desperdícios como fontes de novos recursos.
  • O economista defende maior coordenação entre Tesouro e Banco Central para evitar conflitos entre metas fiscais e monetárias.

Fonte: Revista Fórum

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