Desilusão na caserna: fuga de Flávio Bolsonaro acelera migração de militares para Tarcísio
Após a derrota e a saída de Flávio Bolsonaro do país, militares buscam em Tarcísio de Freitas uma nova liderança conservadora, valorizando sua trajetória técnica e militar.

Foto: O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante ato de campanha de Flávio Bolsonaro (PL) - Zanone Fraissat - 21.out.26/Folhapress · Original e licença
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições de 2026 e sua subsequente partida para os Estados Unidos, sem o reconhecimento do resultado, geraram um forte mal-estar nas Forças Armadas. O gesto, interpretado por oficiais como um abandono da tropa, serviu como catalisador para que setores militares, historicamente alinhados ao bolsonarismo, voltassem seus olhos para o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Segundo apuração do jornalista Fabio Victor, da Folha de S.Paulo, o sentimento na caserna é de que a postura de Flávio feriu valores como honra e lealdade. Em contrapartida, Tarcísio, capitão da reserva e formado pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), é visto como um nome mais preparado e institucional. A avaliação entre oficiais é de que, enquanto Bolsonaro deixou o Exército sob polêmicas, Tarcísio construiu uma carreira técnica sólida, servindo a diferentes gestões antes de chegar ao Palácio dos Bandeirantes.
O governador paulista, que já admitiu considerar uma candidatura ao Planalto em 2030, tem evitado confrontos diretos com seu padrinho político. Contudo, nos bastidores militares, a aposta é de que um rompimento seja inevitável. A expectativa é que, diante de uma cisão, a maioria da chamada 'família militar' migre para o projeto de Tarcísio, buscando uma alternativa que combine conservadorismo com uma imagem de maior estabilidade.
Apesar da insatisfação com o STF e da resistência a pautas do governo Lula, o cenário atual reflete uma tentativa de reorganização da direita. Enquanto a PEC que visa restringir candidaturas de militares da ativa segue travada no Congresso, a influência política das fardas permanece alta, com o número de eleitos em 2026 atingindo patamares recordes.
Em resumo
- A fuga de Flávio Bolsonaro após a derrota eleitoral foi vista como uma quebra de lealdade por militares.
- Tarcísio de Freitas emerge como o favorito da caserna para 2030, sendo elogiado por sua formação técnica e trajetória institucional.
- Militares avaliam que a maioria da categoria deve apoiar o governador paulista em um eventual rompimento com o clã Bolsonaro.
- O número de militares e policiais eleitos em 2026 retomou níveis recordes, mantendo a alta presença de fardados na política nacional.
Fonte: Folha de S.Paulo

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