Recessão e desemprego: o colapso da indústria argentina sob o governo Milei
Com a economia em contração e milhares de empresas fechadas, a gestão de Javier Milei enfrenta forte desgaste popular a um ano das eleições presidenciais.

Foto: Javier Milei Crédito: REUTERS/Mariana Nedelcu · Original e licença
A política econômica de Javier Milei, marcada por uma austeridade rigorosa e abertura comercial desenfreada, empurrou a Argentina para um cenário de recessão técnica. Dados que circulam no mercado financeiro e análises de especialistas indicam que o país registrou dois trimestres consecutivos de queda na atividade econômica em 2026, consolidando um quadro de crise que atinge diretamente o setor produtivo e o poder de compra das famílias.
O impacto é visível no tecido empresarial do país. Segundo levantamento do centro de estudos Fundar, cerca de 32,3 mil empresas encerraram as portas entre dezembro de 2023 e julho de 2026. O setor industrial, em particular, sofre com a combinação de queda no consumo interno — que recuou 2,7% nos primeiros nove meses de 2026 — e a concorrência desleal de produtos importados. Em agosto, a produção industrial argentina registrou queda de 3,2% na comparação anual.
O drama vivido pelo setor produtivo é ilustrado pela Eseka, uma indústria têxtil tradicional de Buenos Aires. Com uma queda de 40% nas vendas desde o início da gestão Milei, a empresa foi forçada a demitir 30% de seus funcionários e manter grande parte de seu maquinário parado. Ricardo Kuchikian, um dos administradores, alerta que, sem mudanças na política econômica, a indústria nacional corre o risco de desaparecer.
Embora o governo tenha conseguido reduzir a inflação de patamares próximos a 200% para cerca de 30%, o alívio nos preços não se traduziu em bem-estar social. A pobreza voltou a subir, atingindo quase um terço da população. Enquanto setores exportadores, como energia e mineração, apresentam resultados positivos, a economia real, voltada ao mercado interno, segue em queda livre. Ricardo Delgado, da consultoria Analytica, estima uma contração adicional de 1,5% no PIB para o terceiro trimestre de 2026.
O desgaste econômico já se reflete na política. Pesquisa da consultoria Giacobbe y Asociados aponta que a desaprovação de Milei chegou a 56% em outubro. Apesar do cenário crítico, o governo mantém a postura de não alterar o rumo, ignorando as dificuldades enfrentadas pela população. A um ano das eleições presidenciais de 2027, o fracasso na recuperação da renda e do emprego coloca o projeto político do presidente em xeque.
Em resumo
- A Argentina entrou em recessão técnica após sucessivas quedas no PIB em 2026.
- Mais de 32 mil empresas fecharam desde o início do governo Milei, com forte impacto na indústria.
- A desaprovação do presidente atingiu 56% em outubro, refletindo o descontentamento com a crise econômica.
Fonte: Brasil 247

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