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O efeito Brasil: como a vitória de Lula inspira a esquerda americana nas eleições de meio de mandato

A mobilização popular brasileira e o uso de redes sociais contra a extrema-direita viraram manual de campanha para democratas nos EUA, enquanto a presença de Flávio Bolsonaro em solo americano gera pressão parlamentar.

Foto: Publicações nas redes mostram eleitores e ativistas nos EUA usando a política brasileira e o caso de Flávio. Foto: Reprodução · Original e licença

A reta final das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), trouxe um protagonista inesperado ao debate político: o Brasil. O sucesso da mobilização popular que garantiu a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro transformou o país em um laboratório de estratégias para ativistas e influenciadores progressistas americanos, que agora adotam o lema de votar como um brasileiro.

O impacto dessa organização digital, especialmente o modelo de grupos de WhatsApp que ficou conhecido como Exército do Lula, ultrapassou fronteiras. Relatos de brasileiros sobre a importância de conversas diretas com vizinhos e a organização de caronas para eleitores foram amplificados por perfis influentes, como o da organização Feminist. A ideia é replicar a tática de engajamento constante para combater o avanço do movimento MAGA, ligado a Donald Trump.

Enquanto a militância se inspira no Brasil, o campo institucional também se movimenta. Um grupo de 25 deputados democratas enviou um questionamento formal ao secretário de Estado, Marco Rubio, exigindo explicações sobre a concessão de visto a Flávio Bolsonaro. Os parlamentares querem saber se houve facilitação por parte de órgãos federais e se as autoridades americanas tinham ciência das investigações que pesam contra o senador brasileiro.

A deputada Pramil Jayapal foi além e sinalizou que, caso os democratas garantam o controle do Congresso, o partido pretende abrir uma frente de investigação sobre a interferência do governo Trump e da plataforma Meta no processo eleitoral brasileiro. A intenção, segundo a parlamentar, é assegurar que a democracia brasileira receba o devido respaldo internacional.

A presença de Flávio Bolsonaro nos EUA também virou alvo de sátiras. Durante a Maratona de Nova York, um cartaz provocativo sugeria que as pessoas corressem como o senador, em uma alusão direta à sua saída do Brasil após o resultado das urnas. O episódio reforçou o sentimento de indignação compartilhado por vozes influentes nas redes sociais, que exigem o retorno do político ao país de origem.

O alcance das táticas brasileiras não se limita aos EUA. O deputado André Janones, um dos articuladores do modelo digital, tem sido procurado por lideranças de esquerda na França, Espanha e Argentina. Recentemente, Janones esteve com o ex-ministro argentino Sergio Massa, reforçando a mensagem de que a extrema-direita pode ser derrotada através de uma organização popular eficiente e conectada.

Em resumo: - Parlamentares democratas exigem explicações do governo dos EUA sobre a entrada de Flávio Bolsonaro no país. - O método de mobilização digital brasileiro é adotado por ativistas americanos e estudado por movimentos de esquerda na Europa e América Latina. - Deputados dos EUA prometem investigar a atuação de Trump e da Meta no Brasil caso vençam o pleito de hoje.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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