Vitória democrata no Congresso dos EUA coloca permanência de Flávio Bolsonaro sob escrutínio
Com maioria na Câmara, democratas podem investigar possíveis privilégios concedidos ao senador brasileiro pelo governo Trump.

Foto: Flávio Bolsonaro desembarca em aeroporto executivo na Flórida, nos Estados Unidos. Foto: Reprodução · Original e licença
A recente vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos trouxe um novo elemento de pressão sobre a estadia do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em solo americano. Embora o Legislativo não possua autoridade direta para ordenar deportações — prerrogativa exclusiva do Poder Executivo, sob o comando de Donald Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio —, a nova configuração parlamentar abre caminho para um desgaste político significativo para a Casa Branca.
Especialistas ouvidos sobre o tema esclarecem que o Congresso americano não tem jurisdição para expulsar estrangeiros. No entanto, a maioria democrata na Câmara dos Representantes detém o poder de instaurar investigações parlamentares. O foco de uma eventual apuração seria o rito de concessão de vistos e o status migratório do senador, buscando identificar se houve tratamento excepcional ou auxílio indevido por parte de agências governamentais.
O professor Vitelio Brustolin, da UFF, aponta que o Legislativo pode convocar autoridades, como o próprio Marco Rubio, para prestar esclarecimentos. Contudo, o processo não é simples: a Casa Branca pode utilizar prerrogativas legais para restringir o acesso a documentos e comunicações oficiais, o que deve gerar embates jurídicos e políticos prolongados.
O tema já movimenta os bastidores em Washington. Um grupo de 25 deputados democratas, liderado por Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, enviou um questionamento formal ao Departamento de Estado. O objetivo é apurar se houve suporte oficial para a entrada de Flávio Bolsonaro no país, especialmente diante de questionamentos sobre restrições judiciais brasileiras.
Apesar da ofensiva, analistas ponderam que o caso de Flávio Bolsonaro dificilmente será a prioridade máxima da oposição. A agenda democrata deve priorizar temas como economia, custo de vida e o planejamento para o pleito presidencial de 2028.
Em resumo
- O Congresso dos EUA não pode deportar o senador, mas tem poder para investigar possíveis irregularidades na concessão de seu visto.
- Um grupo de 25 deputados democratas já questionou formalmente o Departamento de Estado sobre o caso.
- A Casa Branca pode tentar bloquear o acesso a documentos, gerando disputas políticas entre os poderes.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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