Política

Sucessão na Defesa: Lula avalia nomes e PT pressiona por mudança de rumo

Com a saída confirmada de José Múcio, governo discute novos nomes para o Ministério da Defesa em meio a críticas sobre a relação com militares.

Foto: José Múcio. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil · Original e licença

A saída de José Múcio do Ministério da Defesa, formalizada logo após o segundo turno das eleições, abriu a primeira grande disputa interna para a composição do quarto mandato do presidente Lula. A sucessão na pasta, considerada estratégica, já movimenta os bastidores com três nomes principais em análise: a atual secretária-geral do ministério, Cinara Wagner Fredo; o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; e a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha.

A indicação de Cinara Wagner Fredo é vista como uma tentativa de continuidade da gestão atual, o que tem gerado resistência em alas do PT e entre aliados do governo. Críticos da gestão Múcio, que chegou a ser apelidado nos bastidores de "despachante", argumentam que o ministério foi excessivamente subordinado aos comandos militares. O descontentamento envolve a falta de reformas estruturais na formação das Forças Armadas e o fracasso da PEC que visava restringir a participação de militares na política, proposta que não avançou no Congresso.

Em contrapartida, os nomes de Maria Elizabeth Rocha e Márcio Elias Rosa ganham força como alternativas para imprimir um novo perfil à pasta. Maria Elizabeth, primeira mulher a presidir o STM, é reconhecida pela defesa da subordinação das Forças Armadas ao poder civil. Sua nomeação seria histórica, já que o ministério, criado em 1999, nunca foi chefiado por uma mulher. Já Márcio Elias Rosa conta com o apoio do vice-presidente Geraldo Alckmin e é visto como um nome capaz de integrar a política industrial e de soberania nacional à agenda da Defesa.

Embora as movimentações estejam em estágio preliminar e sem convites formais, a escolha de Lula será um termômetro para o próximo mandato. O presidente terá de decidir se mantém a política de acomodação com os quartéis ou se buscará uma gestão mais incisiva na relação entre civis e militares.

Em resumo

  • José Múcio deixará o Ministério da Defesa em 2027.
  • Cinara Wagner Fredo, Márcio Elias Rosa e Maria Elizabeth Rocha são os cotados para a sucessão.
  • Setores do PT defendem uma mudança na condução política da pasta, criticando a gestão atual por falta de reformas estruturais.

Fonte: ICL Notícias

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