Manobra de Peña para escapar do impeachment no Paraguai fracassa no Congresso
O presidente Santiago Peña renunciou ao cargo em meio ao escândalo do Ueno Bank, mas o Parlamento paraguaio rejeitou o pedido para garantir o prosseguimento do impeachment.

Foto: - Foto: Daniel Duarte/AFP · Original e licença
O cenário político no Paraguai vive um momento de ruptura histórica. Nesta quinta-feira (5), o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia ao cargo em um vídeo publicado nas redes sociais. A decisão, apresentada como um gesto em prol da estabilidade nacional, é vista por analistas como uma tentativa desesperada de evitar a destituição e garantir o foro privilegiado de senador vitalício, prerrogativa concedida a ex-chefes de Estado no país.
A estratégia, contudo, encontrou resistência imediata no Legislativo. A Câmara dos Deputados rejeitou formalmente a carta de renúncia e optou por dar continuidade ao processo de impeachment. Segundo a legislação paraguaia, a condenação em um julgamento político retira automaticamente o direito ao título de senador vitalício e à imunidade parlamentar, deixando o ex-mandatário exposto à Justiça comum.
A crise que culminou na queda de Peña foi deflagrada pelo colapso do Ueno Bank, instituição que afetou cerca de três milhões de clientes e comprometeu recursos da previdência estatal. O caso ganhou contornos de revolta popular devido à ligação anterior de Peña com a holding controladora do banco e às suspeitas de omissão do Banco Central. O isolamento do presidente tornou-se definitivo após a retirada do apoio de Horacio Cartes, líder do Partido Colorado.
Com a continuidade do processo, o vice-presidente Pedro Alliana assume o comando do Executivo. Embora Alliana também fosse alvo inicial da oposição, o Parlamento decidiu remover seu nome da peça acusatória, permitindo a transição. O futuro de Peña agora depende do desfecho do julgamento político, que definirá se ele responderá pelos danos causados à economia paraguaia sem o escudo da proteção legislativa.
Em resumo
- Santiago Peña renunciou à presidência do Paraguai em meio a um escândalo financeiro envolvendo o Ueno Bank.
- O Congresso rejeitou a renúncia para impedir que Peña obtivesse foro privilegiado como senador vitalício.
- O processo de impeachment segue em curso, com o vice-presidente Pedro Alliana assumindo o governo após ser retirado da lista de acusados.
Fonte: Revista Fórum

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.