Crise no Ueno Bank trava contas de brasileiros e abala governo no Paraguai
Intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank bloqueia recursos de milhares de brasileiros e coincide com a renúncia do presidente Santiago Peña.

Foto: Renata de Brito, brasileira em sua lanchonete no Paraguai. Foto: reprodução · Original e licença
Uma crise bancária de grandes proporções no Paraguai deixou milhares de brasileiros em situação de incerteza financeira. O Ueno Bank, que detinha uma base de 3 milhões de clientes — equivalente a 60% da população adulta do país —, teve suas operações bloqueadas pelo Banco Central paraguaio após uma queda drástica em seu índice de solvência, que atingiu patamares abaixo do mínimo exigido por lei.
A situação atingiu em cheio a comunidade brasileira, estimada em 270 mil pessoas. Entre os afetados está a comerciante Renata de Brito, de 44 anos, que teve suas economias e o capital de giro de seu negócio retidos. A empresária relatou a dificuldade de movimentar valores desde a última terça-feira (3), o que coloca em risco o pagamento de compromissos financeiros agendados para o final do mês.
O cenário econômico é agravado por uma instabilidade política sem precedentes. A intervenção no banco ocorreu dias antes da renúncia do presidente Santiago Peña, oficializada na quinta-feira (5). O governo de Peña já enfrentava questionamentos sobre conflitos de interesse, especialmente após a nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente-executivo do Ueno Bank, para o comando do Banco Central do Paraguai.
Especialistas apontam que o impacto deve ser sentido por diversos perfis de brasileiros, desde estudantes de medicina até produtores rurais e comerciantes de fronteira, atraídos pela facilidade de abertura de contas no banco. O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai assegurou o ressarcimento até o limite de 228 milhões de guaranis, cerca de R$ 211 mil, mas ainda há dúvidas sobre a cobertura de valores que excedam esse montante.
Em resumo
- O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank devido à baixa solvência da instituição.
- O bloqueio de contas afeta milhares de brasileiros residentes no país.
- A crise ocorre em meio à renúncia do presidente Santiago Peña.
- O Fundo de Garantia local cobre até 228 milhões de guaranis por correntista.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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