Onda de violência pós-eleitoral mira comunidades indígenas em todo o país
Após a reeleição de Lula, Ministério dos Povos Indígenas registra 13 denúncias de ataques, ameaças e discursos de ódio contra comunidades originárias.

O período pós-eleitoral no Brasil tem sido marcado por uma escalada preocupante de hostilidade contra povos originários. Desde a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de outubro, o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) contabilizou 13 denúncias de violência, que incluem ameaças, episódios de discriminação e ataques diretos a comunidades em diferentes estados.
Em Tacuru (MS), um caso emblemático envolveu servidores municipais que sugeriram o envenenamento da água da aldeia Sassoró, em represália ao voto dos Guarani Kaiowá no petista. Os envolvidos foram afastados e o caso é apurado pela Polícia Federal. Situações semelhantes de intimidação, com ameaças de corte de benefícios e agressões, foram registradas em Avaí (SP), Sidrolândia (MS) e Novo Repartimento (PA).
A violência também se manifestou por meio de incêndios e mortes sob investigação. Em 29 de outubro, a casa de uma rezadeira de 90 anos foi destruída pelo fogo na Terra Indígena Jaguapiré (MS), enquanto, em Japorã (MS), o indígena Damácio Moraes, de 40 anos, foi encontrado morto. O Ministério Público Federal e órgãos de segurança monitoram a situação, que se soma a um histórico de conflitos territoriais, especialmente no Mato Grosso do Sul.
Diante da gravidade dos relatos, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governo federal, o governo de Mato Grosso do Sul e o Ministério Público Federal apresentem, em até cinco dias, informações detalhadas sobre as investigações e as medidas de proteção adotadas para as comunidades ameaçadas.
Em resumo
- O Ministério dos Povos Indígenas recebeu 13 denúncias de violência contra comunidades após o pleito de 25 de outubro.
- Ameaças de envenenamento de água, corte de cestas básicas e ataques a residências foram relatados em diversos estados.
- O ministro Gilmar Mendes, do STF, deu prazo de cinco dias para que autoridades expliquem as medidas de proteção às comunidades.
- Entidades como o Cimi alertam que a violência política agrava um cenário estrutural de ataques contra indígenas no país.
Fonte: ICL Notícias

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