Bancos revisam projeções para baixo e alertam para risco de estagnação em 2027
Grandes instituições financeiras cortaram estimativas de crescimento do PIB e elevaram projeções de inflação e juros para 2027, citando incertezas fiscais e pressão cambial.

Foto: Apesar da revisão, o BC segue mais otimista do que o mercado sobre o desempenho da economia neste ano; a mediana das projeções dos analistas para a queda do PIB em 2016 está em 3,33%; a piora na projeção foi apontada na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) pela ala mais moderada para se colocar contra a alta da taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano Crédito: Roberta Namour · Original e licença
O mercado financeiro brasileiro iniciou uma onda de revisões pessimistas para o desempenho da economia em 2027. Diante de um cenário marcado por juros elevados, inflação persistente e a valorização do dólar, grandes bancos reduziram drasticamente suas expectativas de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB), sinalizando um risco crescente de estagnação.
As projeções para o PIB de 2027 foram ajustadas para baixo por diversas instituições. A XP Investimentos cortou sua estimativa de 1% para 0,3%, enquanto o Bradesco reduziu de 1% para 0,4%. O Itaú revisou o índice de 1,2% para 0,5%, o Inter passou de 1,5% para 0,7% e o C6 Bank ajustou sua previsão de 1,7% para 1,2%.
A manutenção da taxa Selic em patamares elevados é apontada como o principal entrave para o consumo das famílias e para os investimentos produtivos. Instituições como Itaú, XP e C6 Bank agora projetam que a taxa básica de juros encerrará 2027 em 13,75% ao ano. Já o Bradesco estima 12,75%, enquanto Inter e PicPay preveem 12,50%.
O quadro inflacionário também preocupa, com todas as instituições citadas projetando um IPCA acima de 5% para o próximo ano. O Itaú lidera as revisões, elevando a expectativa de 4,6% para 6,1%. Analistas apontam que a combinação de fraqueza na demanda com pressões de oferta — como choques climáticos e custos logísticos — cria um cenário de estagflação, onde o combate aos preços se torna mais complexo.
Segundo Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco, a atividade econômica já apresenta sinais de moderação. O banco projeta uma retração de 0,2% no PIB do terceiro trimestre de 2026, dado que será oficializado pelo IBGE em 2 de dezembro.
Em resumo
- Bancos cortaram projeções de crescimento do PIB para 2027, com estimativas variando entre 0,3% e 1,2%.
- A taxa Selic deve permanecer em patamares elevados, com projeções de mercado chegando a 13,75% ao final de 2027.
- A inflação oficial é esperada acima de 5%, pressionada pelo câmbio e por choques de oferta.
- O IBGE divulga o resultado do PIB do terceiro trimestre de 2026 no dia 2 de dezembro.
Fonte: Brasil 247

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