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Queda de Santiago Peña no Paraguai revela fragilidade de modelo econômico neoliberal

A destituição de Santiago Peña após a crise no Banco Ueno expõe as contradições do modelo econômico paraguaio e intensifica disputas internas no Partido Colorado.

Foto: Presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta pedido de impeachment após colapso do banco digital Ueno e rompimento de aliados políticos Crédito: REUTERS · Original e licença

A destituição de Santiago Peña da presidência do Paraguai, concretizada por meio de um julgamento político no Congresso, marca o ápice de uma crise que vai além da política institucional. Para o economista e professor Leonardo Trevisan, da PUC-SP e ESPM, o episódio desmascara a fragilidade do modelo econômico paraguaio, frequentemente exaltado por setores da extrema direita e pelo mercado financeiro como um exemplo de eficiência e desregulamentação.

O estopim para a queda de Peña foi a falência e a subsequente intervenção estatal no Banco Ueno. A instituição, que possuía laços estreitos com o governo, viu sua expansão meteórica ruir, deixando milhares de cidadãos sem acesso aos seus recursos básicos. Segundo Trevisan, o caso ilustra o colapso de um sistema que priorizou a especulação financeira em detrimento da economia real, deixando a população vulnerável diante da instabilidade.

O especialista aponta que o modelo paraguaio sustentava-se em pilares como a precarização do trabalho e a promiscuidade entre o setor público e o privado. Um exemplo citado é a nomeação de um ex-diretor do Banco Ueno para a presidência do Banco Central do Paraguai, prática que o economista classifica como o clássico mecanismo de porta giratória, onde o regulador atua em favor do regulado.

Além da crise financeira, a instabilidade política foi agravada por uma disputa interna no Partido Colorado. O embate entre o grupo de Peña e a ala liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes, que busca retomar o controle sobre interesses estratégicos como a energia de Itaipu, acelerou o processo de impeachment. Com a ascensão do vice-presidente Pedro Alliana ao poder, o cenário permanece incerto.

Em resumo

  • Santiago Peña foi destituído da presidência do Paraguai após um processo de impeachment no Congresso.
  • A falência do Banco Ueno, com forte impacto na economia popular, serviu como gatilho para a crise política.
  • O economista Leonardo Trevisan critica o modelo neoliberal paraguaio, apontando a falta de regulação e a promiscuidade entre governo e setor financeiro.
  • Pedro Alliana assumiu a presidência em meio a intensas disputas de poder dentro do Partido Colorado.

Fonte: Brasil 247

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