A queda de Santiago Peña: o rastro de dinheiro e a guerra de clãs no Paraguai
A destituição de Santiago Peña pelo Senado paraguaio revela uma complexa disputa entre grupos econômicos que controlam o Estado, bancos e a mídia.

Foto: Santiago Peña, ex-presidente do Paraguai. Foto: reprodução · Original e licença
A destituição de Santiago Peña da presidência do Paraguai, confirmada pelo Senado nesta sexta-feira (6), é o ápice de uma crise que vai muito além da política institucional. Segundo a jornalista argentina Guadalupe Vázquez, o cenário reflete uma guerra aberta entre poderosos conglomerados econômicos que, há décadas, exercem influência direta sobre o sistema financeiro, os grandes veículos de comunicação e as decisões dos partidos políticos no país.
O cerne da controvérsia reside na gestão dos recursos do Instituto de Previdência Social (IPS). Enquanto os depósitos previdenciários permaneceram estáveis nos bancos ligados aos grupos Cartes e Zucolillo — rivais históricos na política paraguaia —, o Banco Ueno registrou uma expansão vertiginosa. Dados apontam que os fundos públicos alocados na instituição saltaram de 80 bilhões para 1,6 trilhão de guaranis, um crescimento de 4.600% em apenas três anos.
A situação ganha contornos de escândalo devido a possíveis conflitos de interesses. Peña, que justificou a escolha do banco pelas taxas de juros, foi acionista da entidade até 2025. Além disso, a expansão do Ueno ocorreu sob a gestão de um presidente do Banco Central do Paraguai que, anteriormente, havia comandado a financeira que deu origem ao banco. A denúncia das irregularidades partiu do jornal ABC Color, controlado pelo Grupo Zucolillo, que também é dono do Banco Atlas e financiou a oposição nas eleições de 2023.
Para a analista, o episódio ilustra como o poder no Paraguai é disputado por famílias que controlam os pilares da economia nacional. Embora as suspeitas de irregularidades e conflitos de interesses sejam graves, a jornalista ressalta que o embate também é movido por interesses corporativos, onde a imprensa e o sistema financeiro atuam como peças fundamentais na queda e ascensão de governantes.
Em resumo
- Santiago Peña foi destituído pelo Senado paraguaio em 6 de novembro de 2026.
- O Banco Ueno recebeu um aumento de 4.600% em depósitos do fundo previdenciário público.
- O ex-presidente foi acionista do banco beneficiado até o ano de 2025.
- A investigação sobre o caso foi conduzida pelo jornal ABC Color, ligado a um grupo econômico rival.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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