Economista da UnB alerta para risco de colapso social com plano econômico de Flávio Bolsonaro
Professor José Luís Oreiro aponta contradições nas promessas de corte de gastos e privatizações da campanha bolsonarista, alertando para impactos severos nos mais pobres.

Foto: José Luis Oreiro Crédito: Divulgação · Original e licença
O projeto econômico que a candidatura de Flávio Bolsonaro tenta manter longe do debate público no segundo turno é alvo de duras críticas por parte de especialistas. Em entrevista à TV 247, o professor titular de Economia da Universidade de Brasília (UnB), José Luís Oreiro, classificou a proposta como uma retomada do choque ultraliberal, focada no desmonte de despesas obrigatórias e na entrega de ativos estratégicos do Estado.
Segundo o economista, que integrou a equipe de transição do Ministério do Planejamento em 2022, a promessa de cortar R$ 200 bilhões em gastos, simultaneamente a uma redução generalizada de impostos, é uma "mentira matemática deliberada". Oreiro argumenta que, sem mágica orçamentária, o ajuste inevitavelmente recairá sobre o poder de compra de trabalhadores e pensionistas, seguindo a doutrina de desindexação, desvinculação e desobrigação.
O especialista traçou um paralelo preocupante com as políticas de choque adotadas na Argentina e no Chile, alertando que a aplicação dessas medidas poderia empurrar milhões de brasileiros para a linha da miséria. Para ele, a defesa da privatização de empresas como a Petrobras e os Correios não possui fundamentação técnica, servindo apenas a interesses do setor financeiro e ao fundamentalismo ideológico.
Oreiro destacou ainda que o verdadeiro gargalo das contas públicas não reside nos investimentos sociais, mas no pagamento de juros da dívida pública. Enquanto o déficit primário gira em torno de R$ 100 bilhões, o serviço da dívida drena mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento. O economista concluiu que o alinhamento de parte do mercado financeiro com a extrema direita visa garantir previsibilidade para especulações que lucram com o estrangulamento do orçamento público.
Fonte: Brasil 247

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