Conexões de Trump Jr.: Fundo do filho do ex-presidente investe em empresa que mira minérios na Bahia e recebeu milhões do Pentágono
Investigação revela elos entre o fundo 1789 Capital, de Donald Trump Jr., a fabricante Vulcan Elements e projetos de exploração de terras raras no litoral baiano.

Foto: Trump JR e Pentagono - Fotomontagem: Gage Skidmore. CC BY-SA 4.0 e ohn Wright/Departamento de Defesa dos EUA. · Original e licença
Uma teia de interesses envolvendo o governo dos Estados Unidos, o fundo de investimentos de Donald Trump Jr. e projetos de mineração no Brasil ganha contornos preocupantes. A Vulcan Elements, fabricante de ímãs que recebeu um vultoso empréstimo de US$ 620 milhões do Pentágono, firmou um acordo preliminar para processar terras raras extraídas pela Energy Fuels, empresa que detém direitos minerários em quase 17 mil hectares no sul da Bahia, próximo à região de Abrolhos.
A operação financeira que beneficiou a Vulcan é alvo de questionamentos no Congresso americano. Segundo revelação da agência ProPublica, o pedido de empréstimo foi impulsionado diretamente pela Casa Branca, por meio do assessor Peter Navarro, amigo de Trump Jr. O aporte ocorreu em tempo recorde, elevando o valor de mercado da empresa de US$ 200 milhões para cerca de US$ 2 bilhões. O fundo 1789 Capital, do qual Trump Jr. é sócio, tornou-se investidor da Vulcan semanas antes do memorando com a mineradora ser assinado.
No Brasil, o projeto da Energy Fuels enfrenta obstáculos significativos. A área pretendida pela companhia abrange terras indígenas Pataxó Comexatibá e zonas de proteção ambiental, carecendo de licenciamento. Apesar disso, o interesse estrangeiro no solo baiano tem sido pauta recorrente em círculos conservadores. O senador Flávio Bolsonaro, inclusive, chegou a defender em eventos nos EUA que o Brasil seria a solução para a dependência americana de minerais críticos chineses.
O fundo 1789 Capital aparece como o ponto de convergência entre os negócios e a política. Além da Vulcan, o fundo investe na Polymarket, casa de apostas que ganhou notoriedade ao impulsionar, de forma controversa, dados sobre a eleição brasileira. Parlamentares americanos, como Jared Huffman e Robert Garcia, já exigiram documentos sobre a transação, enquanto a ONG CREW solicitou uma investigação formal do controle interno do Pentágono sobre o empréstimo concedido à Vulcan.
Fonte: Revista Fórum

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