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A teia internacional que une Eduardo Bolsonaro, Mar-a-Lago e posts pagos para Flávio

Investigação revela conexões entre a cúpula bolsonarista, organizadores de eventos nos EUA e redes estrangeiras que impulsionaram a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Foto: posts pagos pró-Flávio - Mar-a-Lago, Palm Beach, Flórida, EUA Foto: Jud McCranie CC BY-SA 4.0 · Original e licença

Uma rede de conexões internacionais, que passa pelo clube Mar-a-Lago, de Donald Trump, liga diretamente o deputado Eduardo Bolsonaro (PL) a uma estratégia de impulsionamento pago em favor da candidatura de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo apuração da Revista Fórum, a articulação envolve figuras centrais da extrema-direita global e o uso de dados de apostas para inflar a imagem do parlamentar brasileiro nas redes sociais.

O elo principal é o empresário espanhol Javier Negre, coproprietário da UHN Plus. Negre foi um dos organizadores da 'Hispanic Prosperity Gala', realizada em 10 de fevereiro de 2026, no clube de Trump. Foi nesta mesma cerimônia que Eduardo Bolsonaro entregou um prêmio ao marqueteiro argentino Fernando Cerimedo, conhecido por disseminar desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro. Meses depois, a UHN Plus, sob controle de Negre, figurou entre os perfis estrangeiros que veicularam conteúdos pagos exaltando as chances eleitorais de Flávio Bolsonaro.

A estratégia utilizou números da Polymarket, plataforma de apostas bloqueada no Brasil desde abril por falta de autorização. Embora os dados não representem pesquisas de intenção de voto, foram apresentados como demonstração de força política. O próprio Flávio Bolsonaro compartilhou esse material durante a campanha. A rede de Negre, que também controla o portal 'La Derecha Diario', possui histórico de parceria com Cerimedo e acesso direto ao núcleo bolsonarista, tendo entrevistado o senador em março, durante a CPAC, no Texas.

A investigação também aponta para o papel de Tony Delgado, outro organizador da gala em Mar-a-Lago e tesoureiro do comitê eleitoral americano 'Latinos for Conservative Values'. Registros da Comissão Eleitoral Federal dos Estados Unidos (FEC) indicam que o comitê declarou mais de US$ 130 mil em despesas de eventos nas semanas que antecederam a festa, embora os documentos não especifiquem se os valores foram destinados ao encontro que reuniu a direita latino-americana.

O marqueteiro Fernando Cerimedo, premiado por Eduardo Bolsonaro, também atua como representante na América Latina de tecnologias ligadas a Brad Parscale, ex-chefe de campanha de Donald Trump. Em seu discurso no evento, Cerimedo agradeceu publicamente a Parscale pelo acesso a ferramentas de monitoramento e gestão de redes sociais, evidenciando a integração tecnológica entre o bolsonarismo e a estrutura de campanha da direita americana.

Fonte: Revista Fórum

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