3899 visitas - Fonte: Uol
Procuradores da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba viram o resultado do primeiro turno da eleição de 2018, que marcou expressiva renovação do Senado, como uma oportunidade para tentar articular o impeachment do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Logo após o fim da apuração, procuradores chegaram a fazer contas em um chat privado sobre os votos necessários para o impedimento de Gilmar --alvo constante de ataques da força-tarefa de Curitiba e tratado como inimigo da Lava Jato.
Em 10 de junho do ano passado, uma entrevista de Gilmar ao jornal "O Estado de S. Paulo" o deixou indignado. Na reportagem, o ministro afirmava que no projeto das "10 medidas contra a corrupção", apadrinhado por Dallagnol, havia iniciativas "completamente nazifascistas". E emendava: "É coisa de tarado institucional".
No chat Filhos do Januário 2, Deltan rebateu aos colegas às 12h59:
"Vou responder dizendo que Gilmar é um brocha institucional."
Já durante a apuração do primeiro turno, eles começaram a traçar cenários para um possível impeachment de Gilmar no chat Filhos do Januário 3.
"Da pra sonhar com impeachment do gm [Gilmar Mendes]?", perguntou às 20h48 o procurador Diogo Castor, então integrante da força-tarefa de Curitiba. No que é respondido por Laura Tessler às 20h50: "Sonhar sempre pode, Diogo. Mas não tem chance de se concretizar".
A grafia das mensagens foi preservada tal como consta no lote de mensagens recebido pelo Intercept, sendo mantidos os erros gramaticais, ortográficos e de informação.

O tema voltou à baila na madrugada de 8 de outubro, dessa vez por conta de um comentário do procurador Paulo Roberto Galvão, também membro da força-tarefa em Curitiba.
"Olha aí. Agora sim, pela primeira vez é possível sim de se pensar em costurar um impeachment de Gilmar. Mas algo pensado e conversado e não na louca sem saber onde vai dar", escreveu às 1h07.

Pela manhã, o procurador Orlando Martello Junior avaliou que o impeachment era impossível. Mas trouxe como alternativa uma estratégia para desgastar a imagem do ministro com o auxílio dos novos congressistas.
"Impeachment, diria, é impossível. Talvez costurar um pedido de convocação, em q ele fique exposto, com cobranças, puxão de orelha e coisa tal, é mais factível. Os novos senadores, q não tem o rabo preso, podem ver isso como uma alavancagem", especulou às 8h.
Às 8h03 emendou: "Sem falar q o quórum para aprovação deve ser bem menor ou mesmo pode ser feito no âmbito de uma das comissões, talvez a de justiça (não vi o regimento!)".
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.