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O "experimento" ultraliberal de Javier Milei está cobrando um preço altíssimo da classe trabalhadora e da soberania produtiva da Argentina. Sob a justificativa de uma abertura econômica radical, o governo Milei abriu as fronteiras para uma enxurrada de produtos estrangeiros, devastando a histórica indústria de autopeças do país. Dados alarmantes revelam que, enquanto as importações chinesas dispararam impressionantes 80,9%, a produção nacional desmoronou 22,5%. O resultado imediato dessa política de desindustrialização é o fechamento de postos de trabalho: cerca de 5 mil operários — 10% de toda a força do setor — foram demitidos em apenas um ano.
O cenário nas periferias industriais de Buenos Aires é de desolação, com máquinas paradas em fábricas familiares que resistiram por décadas e agora sucumbem à concorrência desleal e à valorização artificial do peso. Gigantes globais como a sueca SKF e a americana Dana já começaram a bater em retirada, encerrando operações diante da falta de competitividade e da queda brutal no consumo interno provocada pela austeridade cruel de Milei. A produção de veículos, motor do desenvolvimento industrial, também despencou 19% no primeiro trimestre de 2026, sinalizando que o país está trocando empregos qualificados por uma dependência perigosa de produtos importados.
Para o campo progressista, que defende o desenvolvimento nacional e o fortalecimento do mercado interno, a tragédia argentina serve como um alerta contra a "terapia de choque" que privilegia o capital financeiro e as commodities em detrimento do trabalho. Enquanto setores como mineração e agronegócio — que geram pouca ocupação — crescem, a indústria manufatureira recuou quase 9%. A consultoria Fundar estima que mais de 24 mil empresas fecharam as portas desde a posse de Milei, um extermínio produtivo que empurra os trabalhadores para a informalidade e para o transporte por aplicativos.
A crise na Argentina reafirma que a ausência do Estado na proteção da economia nacional entrega o povo à própria sorte. Com a inflação em dólar corroendo a renda e a abertura comercial destruindo o que resta da indústria, o governo Milei aprofunda a desigualdade e desmantela a estrutura social do país. Para os observadores da esquerda latino-americana, o modelo de Milei não é apenas uma política econômica falha, mas um projeto deliberado de submissão aos interesses estrangeiros que sacrifica o futuro da Argentina no altar do livre mercado dogmático.
Com informações da Reuters
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