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4/5/2020 12:39

Avaliação de Bolsonaro chega ao pior nível; após saída de Moro, expectativa com aumento da corrupção cresce

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Avaliação de Bolsonaro chega ao pior nível; expectativa com aumento da corrupção cresce após saída de Moro

Pesquisa mostra que 27% avaliam governo como ótimo ou bom – uma queda de 4 p.p. em uma semana. Para 45%, corrupção aumentará em 6 meses



Por Marcos Mortari

4 maio 2020 09h34 - Atualizado 2 horas atrás



SÃO PAULO – Uma semana após a demissão do ex-juiz Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o governo Jair Bolsonaro registra seus piores níveis de avaliação junto ao eleitorado. É o que mostra a nova rodada da pesquisa XP/Ipespe, realizada entre 28 e 30 de abril.



Segundo o levantamento, concluído antes de mais uma participação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em manifestações favoráveis à intervenção militar e ao fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, agora 27% avaliam a atual administração como ótima ou boa – o que corresponde a uma queda de 4 pontos percentuais em relação à semana anterior.



A pesquisa indica que, no mesmo período, subiu de 42% para 49% o grupo dos eleitores que avaliam o governo como ruim ou péssimo. Já os que veem a gestão como regular somam 24% da população – mesma marca de uma semana atrás.









O resultado retrata uma expressiva deterioração da imagem do governo junto ao eleitorado. Há exatamente um ano, 47% tinham expectativa de um restante de mandato ótimo ou bom, e 31% esperavam uma gestão ruim ou péssima.



O último salto coincide com a demissão de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que foi durante a maioria dos 16 meses de governo a figura mais popular da administração – sendo ultrapassado por Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, em meio ao avanço da pandemia do novo coronavírus.



A crise entre Bolsonaro e Moro também piorou drasticamente a imagem do governo em relação ao combate a crimes de colarinho branco. De acordo com a pesquisa, 45% dos eleitores acreditam que a corrupção aumentará nos próximos seis meses – alta de 15 pontos em relação ao levantamento de março.



Já o grupo dos que esperam uma diminuição da corrupção minguou de 27% para 18%. Outros 34% acreditam que o quadro permaneça como está. Sérgio Moro deixou o governo sob a alegação de insistentes tentativas do presidente de interferir na Polícia Federal. O estopim para o movimento foi a exoneração de Maurício Valeixo, figura de confiança do ex-juiz, da direção-geral da corporação.







A pesquisa XP/Ipespe também ouviu a opinião dos eleitores sobre algumas personalidades da política. Os respondentes deram nota de 0 a 10 para o desempenho de cada uma dessas figuras. De acordo com o levantamento, os dois nomes mais bem avaliados são Mandetta e Moro, com 7,2 e 5,8, respectivamente. O ex-ministro da Saúde supera o atual comandante da pasta, Nelson Teich, por 2,7 pontos.



Na sequência, aparecem o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o vice-presidente Hamilton Mourão, com 5,8 e 5,5, na ordem. Bolsonaro divide a quinta posição com o empresário e apresentador de televisão Luciano Huck e o governador de São Paulo, João Doria. Todos têm nota média de 4,7.







Questionados sobre a melhor forma de recuperar a economia depois do coronavírus, 62% defendem uma mudança na política econômica, com mais investimentos públicos para estimular a retomada do crescimento do País. Outros 29% apoiam a manutenção da atual política econômica, com a agenda de reformas, o enxugamento de gastos públicos e maior participação do setor privado na retomada da economia.







A pesquisa XP/Ipespe ouviu 1.000 eleitores de todas as regiões do país, a partir de entrevistas telefônicas realizadas por operadores entre 28 e 30 de abril. A margem máxima de erro do levantamento é de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.



Coronavírus



O levantamento também revela uma escalada na preocupação da população com o avanço da pandemia do novo coronavírus. O grupo de eleitores que disseram estar com muito medo da doença chegou a 48%, em um salto de 7 pontos percentuais em uma semana.







Junto ao aumento da preocupação com a doença, também cresceu o repúdio à atuação do presidente Jair Bolsonaro na crise. Agora, 54% avaliam como ruim ou péssima a postura do mandatário em meio à pandemia, contra 23% de avaliações positivas. No início do mês, os grupos correspondiam a 44% e 29% dos eleitores, respectivamente.



A avaliação negativa do presidente contrasta com o desempenho favorável de governadores na ótica da opinião pública. Segundo o levantamento, 53% avaliam a atuação dos gestores estaduais como ótima ou boa, contra 16% de avaliações negativas. A fotografia apresenta leves oscilações em relação às últimas edições da pesquisa.

















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