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O pré-candidato da extrema direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, tentou relativizar os números do eleitorado feminino que indicam liderança folgada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante um café da manhã com vereadores na zona sul da capital paulista nesta sexta-feira, o senador de extrema direita afirmou não entender os motivos pelos quais a maioria das mulheres prefere o projeto progressista, tentando associar pautas do segmento ao conservadorismo. O incômodo do parlamentar ocorre no momento em que aliados próximos do clã familiar, como o blogueiro Paulo Figueiredo, promovem campanhas abertamente machistas contra o direito ao voto feminino.
A acentuada rejeição a Flávio Bolsonaro entre as eleitoras é alimentada ainda pelo histórico de machismo estrutural do bolsonarismo e pelas desavenças públicas com sua madrasta, Michelle Bolsonaro. Apesar de um acordo pragmático para viabilizar a candidatura do senador, a ex-primeira-dama gravou um vídeo de quase meia hora denunciando os maus-tratos sofridos no seio da própria família. O desabafo escancarou o tratamento misógino e autoritário dispensado às mulheres pelo grupo político do ex-presidente inelegível.
Os dados mais recentes do Datafolha, divulgados em 24 de julho, confirmam a rejeição expressiva do público feminino ao pré-candidato: 50% das eleitoras afirmam que não votariam em Flávio Bolsonaro de jeito nenhum no primeiro turno, ante 44% referentes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como as mulheres correspondem a 52,84% de todo o eleitorado nacional, o descontentamento desse grupo impulsiona a rejeição geral ao filho do ex-presidente, que atinge 48% dos votantes, superando os índices do atual chefe do Executivo federal.
Na tentativa de criar palanque eleitoral, o senador de extrema direita acusou sem provas o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de retaliar o estado de São Paulo pela aliança da gestão local com sua candidatura. Flávio Bolsonaro alegou que o Planalto estaria travando a liberação de financiamentos solicitados pela prefeitura da capital e pelo governo estadual. A narrativa foi endossada pelo prefeito Ricardo Nunes, que reclamou do ritmo de tramitação de um empréstimo de R$ 4 bilhões, sem apresentar evidências de qualquer ato de perseguição política por parte da União.
As acusações do grupo reacionário atropelam os fatos e omitiram os esclarecimentos prestados pelo presidente da República sobre os investimentos federais em solo paulista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia destacado que a União é parceira direta e cofinanciadora das principais obras estruturantes do estado, agindo por estrito dever republicano e sem qualquer discriminação ideológica. A agenda do pré-candidato reuniu o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes e os aliados André do Prado e Guilherme Derrite, em uma tentativa de engajar lideranças municipais paulistas.
Buscando radicalizar o discurso para animar seus seguidores radicais, o senador voltou a atacar políticas sociais e de saúde promovidas pela esquerda no maior colégio eleitoral do país. Flávio Bolsonaro desferiu ofensas ao programa "De Braços Abertos", iniciativa pioneira de acolhimento e capacitação de dependentes químicos implementada na gestão de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo, desrespeitando diretrizes humanitárias e reforçando a retórica higienista da extrema direita.
Assista ao vídeo:
IRONIA! Flávio Bolsonaro diz que não compreende porque as mulheres rejeitam ele, será mesmo que não compreende? Manda esse vídeo pra ele que ele passa a entender rapidinho quando vê a quantidade de bizarrice que seu pai disse e fez com mulheres. pic.twitter.com/M9mkrRUZii
— Eixo Noticias (@oeixooficial) July 31, 2026