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A profunda crise de vaidades e disputas pelo poder que corrói a extrema direita ganhou mais um capítulo escancarado no Distrito Federal. Durante a convenção distrital do Republicanos, realizada nesta quinta-feira em Brasília, a senadora Damares Alves fez um convite público para que a deputada federal Bia Kicis abandone o PL e se filie à sua legenda. A atitude audaciosa ocorreu na presença da própria parlamentar, que atua como presidente do PL no Distrito Federal e pleiteia uma vaga no Senado, evidenciando o desgoverno e a desunião que reinam no grupo político do ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro.
Durante o evento, a ex-ministra desenhou um arranjo eleitoral próprio, projetando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no palanque de apoio à reeleição da governadora Celina Leão, do PP, que terá Gustavo Rocha, do Republicanos, como candidato a vice-governador. Ao oferecer abertamente o abrigo do Republicanos a Bia Kicis, Damares Alves explicitou o distanciamento da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. O movimento ocorre logo após a senadora romper com o núcleo do senador, omitindo totalmente o nome do herdeiro político em suas declarações públicas e aprofundando o isolamento do clã.
Apesar da oferta pública de troca partidária, o Republicanos homologou formalmente a candidatura de Gustavo Rocha a vice-governador e ratificou o apoio à postulação de Bia Kicis ao Senado, mesmo com a deputada permanecendo, por ora, nos quadros do PL. Em resposta ao afago, a parlamentar defendeu a manutenção da aliança entre PL, Republicanos e PP no Distrito Federal, enquanto Celina Leão e Damares Alves trataram tanto Bia Kicis quanto Michelle Bolsonaro como as candidatas prioritárias do grupo paras as duas vagas de senador em disputa no pleito de 2026.
A postura ofensiva de Damares Alves insere-se em um contexto de fortes atritos internos no bolsonarismo da capital federal. No mês de julho, a senadora abandonou a equipe responsável por elaborar o plano de governo de Flávio Bolsonaro, alegando ser vítima de ataques vindos dos próprios correligionários de extrema direita. Na mesma época, Michelle Bolsonaro acusou publicamente o enteado de humilhá-la e de atuar para enfraquecer suas articulações políticas locais, revelando que a convivência da família é marcada por disputas financeiras e eleitorais ferozes.
A senadora também comemorou publicamente a saída de Michelle Bolsonaro do comando nacional do PL Mulher, classificando a decisão como um ato de dedicação aos cuidados de Jair Bolsonaro, que cumpre pena por tentar dar um golpe de Estado no país. No entanto, bastidores confirmam que o afastamento da ex-primeira-dama foi o ápice de um desgaste irreconciliável com a cúpula do PL e com Flávio Bolsonaro. A assessoria de Michelle informou ao Correio Braziliense que definições sobre eventual candidatura ao Senado cabem exclusivamente a ela e que nenhum anúncio oficial foi feito.
O episódio escancara o esfacelamento da extrema direita no Distrito Federal, onde líderes radicais trocam farpas em público e disputam espaço sem qualquer projeto concreto para a população. A tentativa de cooptar Bia Kicis para o Republicanos prova que o grupo de seguidores de Jair Bolsonaro está completamente fragmentado e incapacitado de manter a unidade partidária, resultando em brigas de bastidores, acusações mútuas e no esvaziamento do palanque eleitoral do senador Flávio Bolsonaro.
Assista ao vídeo:
Damares Alves para Bia Kicis: “Imagina eu, você e Michelle Bolsonaro, essas três mulheres juntas ajudando Celina Leão e Gustavo na campanha.”
— Pri (@Pri_usabr1) July 31, 2026
A declaração, feita na convenção do Republicanos-DF, reforçou as especulações sobre o papel de Michelle nas eleições. pic.twitter.com/ivGRsWpiyA