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14/6/2021 13:47

Planalto montou um ´´bunker`` para monitorar depoimentos de aliados e oposicionistas na CPI da Covid

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1842 visitas - Fonte: O Globo

BRASÍLIA — Enquanto as sessões da CPI da Covid avançam sobre a gestão de Jair Bolsonaro durante a pandemia, parte da estratégia do governo é elaborada em uma sala discreta localizada no Anexo I do Palácio do Planalto. No que pode ser considerado uma espécie de bunker, o local concentra assessores do Planalto que monitoram diariamente o que se passa na comissão



Nos últimos dias, O GLOBO acompanhou de perto as movimentações e os diálogos dos servidores que trabalham nessa sala. Ali eles fazem anotações das transmissões da CPI e planejam como blindar o presidente da investigação da comissão parlamentar de inquérito. Na porta da sala, que fica fechada a maior parte do tempo, está fixado um aviso de que o uso de máscara é obrigatório, mas a regra é amplamente ignorada.

Saiba como funciona o ’bunker’ no Planalto e o que o preocupa:

Um dos focos de atenção no bunker são as intervenções do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, para tentar antecipar temas que poderão ser tratados no relatório final da comissão. Ao longo da sessão, também é feita uma avaliação sobre como os integrantes do governo têm se saído nos depoimentos.



Na terça-feira, por exemplo, o GLOBO testemunhou um incômodo dos servidores com o segundo depoimento do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Num determinado momento, o médico cardiologista disse que a cloroquina não tem eficácia comprovada contra a Covid-19, uma rara declaração de oposição explícita aos posicionamentos do chefe, o presidente Jair Bolsonaro.

Enquanto o depoimento ainda acontecia, um dos funcionários destacou que a frase ganhou um grande destaque e afirmou que esse tipo de situação dificultava a construção de um discurso único por parte do governo na CPI.

Na última quinta-feira, logo após a CPI decidir quebrar o sigilo de diversos integrantes e ex-integrantes do governo, além de aliados do Planalto, houve a avaliação de que o ato teria sido “ilegal” por ter sido feito de uma forma genérica, sem fundamentar as suspeitas que pesavam contra cada um dos alvos. Durante a sessão, o senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) chegou a reclamar do mesmo ponto. Alegou que uma decisão de quebra de sigilo precisa ter fundamentação e tentou impedir que os requerimentos fossem votados. Marcos Rogério apelou para temas regimentais forçando inclusive votação nominal, obrigando que o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), chamasse um a um os senadores integrantes da comissão para votarem a quebra dos sigilos.



No bunker, a orientação discutida entre os servidores foi para que as notas taquigráficas da sessão fossem coletadas com o objetivo de elaborar um habeas corpus contra a decisão da comissão. Exatamente o mesmo argumento da votação em bloco foi usado pela Advocacia-Geral da União (AGU) no pedido apresentado junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), na sexta-feira, para tentar derrubar a quebra dos sigilos telefônico e telemático do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, conforme revelou a colunista Bela Megale.

O ministro da AGU, André Mendonça, destacou um assessor de sua confiança para acompanhar a comissão junto ao Planalto, coletar informações e traçar uma estratégia jurídica para defender integrantes do governo alvos da CPI.

Também na última quinta-feira, a equipe que tem despachado no local havia elaborado sugestões de perguntas a serem feitas por senadores aliados do Planalto na CPI da Covid durante o depoimento do governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC). Mas foram surpreendidos com a decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou Lima a não comparecer na comissão.



Outro papel dos funcionários que trabalham no bunker é separar documentos solicitados pela CPI da Covid e orientar os outros ministérios a fazer o mesmo. O prazo de resposta — de dez dias — é considerado curto pelos servidores. Sustentam que boa parte dos pedidos feitos pela comissão é complexa.

As informações mais relevantes levantadas pelo bunker do Planalto são compartilhadas com a Casa Civil e a Secretaria-Geral da Presidência. Esses órgãos foram os responsáveis por coordenar o treinamento feito por Pazuello antes de seu depoimento na comissão e por levantar documentos para municiar integrantes do governo que prestaram esclarecimentos aos senadores.

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