Vitamedic, fabricante da Ivermectina e alvo da CPI apaga publicação sobre ´´segurança`` do remédio

Portal Plantão Brasil
11/8/2021 20:37

Vitamedic, fabricante da Ivermectina e alvo da CPI apaga publicação sobre ´´segurança`` do remédio

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A farmacêutica Vitamedic, responsável pela produção da ivermectina no Brasil e que é alvo da CPI do Genocídio, retirou de seu site uma nota em que tentava rebater o laboratório alemão Merck, criador do medicamento, afirmando que ele é “seguro” no “tratamento precoce” contra a Covid-19.







A nota, assinada por Jailton Batista, diretor-executivo da farmacêutica e que presta depoimento à CPI nesta quarta-feira (11), tinha sido divulgada em fevereiro deste ano como resposta a uma nota da Merck confirmando que não há evidência científica comprovando a efetividade da ivermectina contra a doença do coronavírus.



“Desde a eclosão da pandemia da COVID-19, em março de 2020 no Brasil, a Ivermectina passou a ser uma das alternativas para tratamento precoce da doença, especialmente quando estudos clínicos in vitro realizados pela University Monash, de Melbourne, Austrália, apontaram a ação antiviral do medicamento”, dizia um trecho da nota, agora apagada, do site da farmacêutica.



O texto ainda acusava o laboratório Merck “motivar campanhas contra [a ivermectina] na mídia”, seguindo a linha defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, defensor do “Kit Covid”, que inclui o medicamento, além da cloroquina, no tratamento precoce da Covid.



Com a venda da ivermectina, a Vitamedic teve um aumento de cerca R$ 340 milhões nos seus lucros em 2020 e, por isso, se tornou alvo da CPI.







Refresco de memória



Durante o depoimento do diretor da Vitamedic, Jailton Batista, à CPI, a deputada federal bolsonarista Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou que o vice-presidente da comissão, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), “mentiu” ao dizer que ela fez propaganda do fabricante do medicamento sem eficácia contra a Covid.



O parlamentar, então, “refrescou” a memória da deputada com um print de uma postagem em que ela divulga a nota – agora apagada – da farmacêutica em defesa da ivermectina.



“Oi deputada, tudo bem? Permita-me: qual era sua preocupação com o alcance da nota da Vitamedic? Você defendia os interesses deles?”, questionou Randolfe.







Confira.











Manifesto pelo “tratamento precoce”



Em depoimento à CPI do Genocídio nesta quarta-feira (11), Jailton Barbosa confirmou que a Vitamedic bancou a publicação em jornais de um manifesto de médicos bolsonaristas defendendo o tratamento precoce da Covid-19, sem comprovação científica.



“A Vitamedic foi solicitada a dar apoio a Associação Médicos pela Vida no patrocínio de um documento técnico médico e ela o fez”, disse ao ser indagado pelo relator, Renan Calheiros (MDB-AL).



Randolfe Rodrigues, então, indagou se o diretor farmacêutico “considera isso ético”.



“A empresa ia lucrar com isso e não tinha nenhum estudo técnico com isso”, disse Randolfe.



“Senador, antes mesmo da publicação deste manifesto, que aconteceu em 16 de fevereiro, a empresa já tinha registrado uma forte demanda do mercado, independente da opinião dos médicos e da publicação desse manifesto”, alegou Barbosa.



“Isso o senhor está informando sobre demanda de mercado. A gente está falando da vida das pessoas. Tem algum estudo que mostrasse a eficácia desse medicamento contra a Covid?”, insistiu Randolfe.







Ao responder, o diretor da Vitamedic tergiversou e não citou sequer uma pesquisa sobre o uso do medicamento contra o coronavírus. “Ao redor do mundo tem uma quantidade muito grande de documentos e tem uma associação médica que reúne uma quantidade grande de profissionais de saúde. E nós não entramos no mérito do conteúdo da informação”, disse.



Ex-delegado e professor de Direito Penal, Fabiano Contarato (Rede-ES) acusou a empresa de cometer estelionato.



“Isso em Direito penal chama-se estelionato. Artigo 171: obter vantagem indevida induzindo ou mantendo alguém em erro mediante artifício ou ardil ou qualquer outro meio. Pena: reclusão de 1 a 5 anos e multa. Isso fere a ética e o artigo 171 porque está sendo violada a vida humana”, disse Contarato.



“E o custo foi pago em vidas”, emendou Calheiros.



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