Documentos mostram fortes indícios de que Allan dos Santos estimulou Bolsonaro e parlamentares a darem golpe de Estado

Portal Plantão Brasil
8/10/2021 21:38

Documentos mostram fortes indícios de que Allan dos Santos estimulou Bolsonaro e parlamentares a darem golpe de Estado

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1227 visitas - Fonte: O Estadão

Durante as manifestações antidemocráticas realizadas entre abril e maio de 2020, o influenciador bolsonarista Allan dos Santos, dono do canal Terça Livre, tentou influenciar o presidente Jair Bolsonaro e os parlamentares da base de apoio a executarem um golpe de estado. As informações estão contidas nos autos do inquérito das milícias digitais, cujo relator é o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).



“A partir da posição privilegiada junto ao Presidente da República e ao seu grupo político, especialmente os Deputados Federais Bia Kicis, Paulo Eduardo, Martins, Daniel Silveira, Caroline de Toni e Eduardo Bolsonaro, dentre outros, além e particularmente o Ten-Cel. Mauro Cesar, ajudante de ordens do Presidente da República, a investigação realizada pela Polícia Federal apresentou importantes indícios de que Allan dos Santos tentou influenciar e provocar um rompimento institucional”, relata o inquérito.

O inquérito das milícias digitais investiga a atuação de uma organização criminosa de forte impacto nas redes sociais, cujos integrantes seriam influenciadores e parlamentares bolsonaristas, com o intuito de produzir, publicar, financiar e distribuir conteúdo político que atente contra as instituições democráticas.

Ao instaurar o inquérito, o ministro Alexandre de Moraes disse haver indícios robustos e provas significativas da existência desse grupo, que atuaria nos mesmos moldes daqueles investigados pelo inquérito das fake news. Segundo o magistrado, os envolvidos no esquema têm a “nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito”.



Consta na investigação realizada pela Polícia Federal (PF) que durante as manifestações de teor golpista em apoio ao governo, realizadas nos dias 19 e 26 de abril e 06 de maio de 2020, Allan dos Santos encaminhou mensagens ao ajudante de ordens de Bolsonaro frisando a “necessidade de intervenção militar”. A conversa termina com a declaração de que “as FFAA (Forças Armadas) precisam entrar urgentemente”, pois “não dá” mais para aceitar decisões do STF citadas na conversa.

No dia 19 de abril, Bolsonaro discursou em frente ao Quartel General do Exército em Brasília durante um ato em que milhares de manifestantes defenderam intervenção militar e o fechamento do STF e do Congresso.

“Nós não queremos negociar nada. Nós queremos é ação pelo Brasil. O que tinha de velho ficou para trás. Nós temos um novo Brasil pela frente. Todos, sem exceção, têm que ser patriotas e acreditar e fazer a sua parte para que nós possamos colocar o Brasil no lugar de destaque que ele merece. Acabou a época da patifaria. É agora o povo no poder”, disse Bolsonaro.



Os documentos, com todas as fases da investigação até o momento, vieram a público nesta sexta-feira, 8, por conta da expiração do prazo de permanência do inquérito na sede da PF. A delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro encaminhou os autos ao ministro Alexandre de Moraes para que ele avalie se é necessário fixar um novo prazo para terminar a apuração.

A PF relata que laudos preliminares identificaram ataques sistematizados às instituições e opositores do governo. Segundo os autos, as redes sociais são utilizadas como instrumento de “agressão, propagação de discurso de ódio e de ruptura ao Estado Democrático de Direito”.



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