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Na manhã desta quinta-feira, Gleisi Hoffmann, presidente do PT e deputada federal, posicionou-se veementemente contra a manifestação organizada por Jair Bolsonaro e seus apoiadores na Avenida Paulista, São Paulo. Em suas redes sociais, Hoffmann declarou a ilegitimidade do evento, ressaltando os perigos de se pactuar com ações que flertam com a desestabilização democrática. Criticou duramente a tentativa de Bolsonaro de se apresentar como defensor do estado democrático de direito, uma postura contraditória com seu histórico de ameaças às instituições democráticas e à liberdade de expressão.
Hoffmann lembrou os inúmeros atos antidemocráticos de Bolsonaro, desde a defesa da ditadura e da tortura até tentativas de intimidar o Supremo Tribunal Federal (STF) e desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. Ressaltou que Bolsonaro, ao invocar a democracia e a liberdade de expressão, tenta, ironicamente, se beneficiar dos mesmos valores que tentou subverter durante seu mandato. A deputada enfatizou que o ato na Paulista não passa de mais uma tentativa de Bolsonaro de se contrapor ao devido processo legal, utilizando-se de mentiras e ameaças às instituições e adversários políticos.
Ela chegou a listar as ações antidemocráticas de Bolsonaro. Veja:
-"Sempre defendeu a ditadura, a tortura e os torturadores;
-Seu primeiro ato na presidência extinguiu os mecanismos de participação social nas políticas públicas;
-Seus primeiros decretos visaram a armar, municiar e incentivar bandos fascistas e de milicianos;
-Montou um gabinete do ódio no Planalto para disseminar mentiras e ameaças contra todo e qualquer adversário;
-Montou uma Abin Paralela para espionar adversários e até ministros de Tribunais Superiores;
-Usou o Sete de Setembro para ameaçar as instituições e ofender ministros do Supremo;
-Ameaçou fechar o STF (“basta um cabo e um soldado”, na voz de um de seus filhos e cúmplices);
-Convocou desfile de tropas em Brasília para intimidar a Câmara no dia da votação do projeto do voto impresso; . Tentou desacreditar o sistema eleitoral, inclusive diante do corpo diplomático, atacando a urna eletrônica;
-Faltando três meses para as eleições presidenciais, com pesquisas prevendo sua derrota, reuniu o ministério para cobrar ação contra o adversário, a Justiça Eleitoral e o STF;
-Na mesma reunião, tratou de espionagem de campanhas, “virada de mesa” e medidas para impedir a eleição de Lula;
-Derrotado nas urnas, não reconheceu a vitória do adversário nem a legitimidade do processo eleitoral; tentou de todas as formas encontrar fraudes inexistentes;
-Incentivou ocupações de rodovias e acampamentos diante de quartéis, financiados clandestinamente e tolerados por comandantes militares; de onde partiram a baderna de 12 de dezembro, dia da diplomação de Lula, e o atentado a bomba contra o aeroporto de Brasília na véspera do Natal;
-Preparou um decreto ilegal de estado de sítio, prevendo a prisão do presidente do TSE, que manteve sob monitoramento clandestino, e a anulação das eleições;
-Conspirou com chefes militares e comandantes de tropas especiais na preparação de um golpe para impedir a posse de Lula e manter-se no poder;
-Fugiu do país, levando joias roubadas ao patrimônio público, e assistiu de camarote os atentados de 8 de janeiro, financiados organizados por seus apoiadores civis e militares."
A crítica de Hoffmann se estende à cobertura midiática do evento, que, segundo ela, corre o risco de normalizar comportamentos antidemocráticos ao tratar a convocação de Bolsonaro sem a devida conotação crítica. Ela alerta para a gravidade de legitimar um ato que vai contra os princípios constitucionais e representa uma ameaça direta ao tecido democrático do país.
Segundo Hoffmann, o Brasil, que recentemente superou uma tentativa de golpe, não deve subestimar o risco representado por Bolsonaro e seus apoiadores. A deputada defende que a nação deve permanecer vigilante e resistente a qualquer forma de desrespeito às leis e instituições que garantem a democracia e a liberdade no país.
Essa posição reflete a preocupação de setores da sociedade com a tentativa de Bolsonaro de reverter sua imagem de desestabilizador das bases democráticas brasileiras. Hoffmann conclama a população e a imprensa a reconhecerem a verdadeira natureza das ações de Bolsonaro, caracterizando-as como um ataque continuado aos fundamentos democráticos que regem o Brasil.
Veja:
É estarrecedor ver Bolsonaro convocar um ato “em defesa do estado democrático de direito” que ele nunca respeitou e tentou abolir em sua fracassada tentativa de golpe! E é chocante ver a mídia normalizar esse chamado e o próprio ato, tratando como coisa normal. Sem conotação…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) February 15, 2024