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O Brasil vive uma guinada histórica no controle de armamentos. Nos primeiros três anos do governo Lula, o número de novos registros de Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs) despencou quase 64% em comparação ao mesmo período da gestão de Jair Bolsonaro. Enquanto o governo anterior incentivou uma corrida armamentista civil, emitindo mais de 800 mil certificados, a atual administração registrou apenas 158,4 mil novos usuários. A mudança reflete o fim de uma política de facilitação descontrolada, substituída por um rigor técnico focado na segurança pública e na paz social.
A Polícia Federal assumiu, em julho do ano passado, a responsabilidade de registrar e fiscalizar os CACs, tarefa que antes pertencia ao Exército. Essa transferência de competência foi fundamental para profissionalizar o controle. No primeiro ano de Lula, apenas 996 certificados foram concedidos, uma trava necessária para reavaliar o caos normativo herdado. Em 2024 e 2025, os números se estabilizaram em torno de 80 mil registros anuais, um ritmo muito mais condizente com a capacidade de fiscalização do Estado do que os saltos exponenciais vistos na era bolsonarista.
Durante o governo Bolsonaro, o crescimento foi propositalmente acelerado, saltando de 80 mil novos registros em 2019 para assustadores 232 mil em 2021. Esse "liberou geral" resultou em um estoque atual de 1.026.633 CACs ativos no país. No entanto, a Polícia Federal revelou um dado preocupante: esses certificados estão vinculados a 1,58 milhão de armas. A nova gestão agora trabalha para garantir que cada um desses itens seja devidamente rastreado, evitando que o arsenal legalizado acabe alimentando o crime organizado por falta de vigilância.
A demanda herdada é gigantesca: a PF já recebeu cerca de 690 mil requerimentos e processa uma média de 130 mil pedidos por mês. Para limpar a fila e modernizar o sistema, o governo investirá R$ 12 milhões em tecnologia, com o objetivo de automatizar 80% do fluxo de trabalho. Esse investimento é urgente, pois em julho de 2026 cerca de 1,5 milhão de registros de armas vencerão ao mesmo tempo, criando um gargalo administrativo que a gestão anterior deixou como uma "bomba relógio" para o atual governo.
Além do reforço na segurança, a nova fiscalização já gera retorno financeiro, com a arrecadação de R$ 15 milhões em taxas desde a mudança de comando. Diferente da gestão passada, que via nas armas um instrumento político e ideológico, o governo Lula trata o tema como uma questão de soberania e inteligência. O foco agora é a prevenção do desvio de armas para o mercado ilegal e o fortalecimento do combate às facções criminosas, garantindo que o direito ao tiro desportivo não seja usado como fachada para o crime.
A redução drástica nos novos registros é uma vitória para quem defende um Brasil com menos violência. Ao priorizar a rastreabilidade e o controle rigoroso, a Polícia Federal e o governo federal desmontam a narrativa armamentista que marcou o bolsonarismo. O desafio de gerir mais de um milhão de atiradores ativos permanece, mas a direção agora é clara: o Estado retomou as rédeas da política de armas para garantir que a segurança da maioria prevaleça sobre os interesses de grupos específicos.

Com informações do DCM
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