Farra das emendas: STF julga parlamentares bolsonaristas por propina

Portal Plantão Brasil
10/3/2026 17:24

Farra das emendas: STF julga parlamentares bolsonaristas por propina

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O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início a um julgamento decisivo que coloca a cúpula do Partido Liberal (PL) contra a parede. Os deputados federais Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), são réus em uma ação penal por um esquema de corrupção que envergonha o parlamento brasileiro. A acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) é grave: os parlamentares bolsonaristas teriam cobrado propina para liberar emendas parlamentares, transformando verba que deveria servir à população em moeda de troca para enriquecimento ilícito.

Segundo as investigações, o grupo teria solicitado a vultosa quantia de R$ 1,6 milhão em vantagens indevidas para garantir a liberação de R$ 6,6 milhões em emendas destinadas ao município de São José de Ribamar, no Maranhão. O crime teria ocorrido entre janeiro e agosto de 2020, em pleno governo Bolsonaro, evidenciando como a estrutura das emendas foi utilizada para alimentar o apetite de setores fisiológicos da direita. Além dos políticos, outras cinco pessoas ligadas aos gabinetes também estão sentadas no banco dos réus.

O caso está sob a relatoria do ministro Cristiano Zanin e será decidido pela Primeira Turma do STF, que conta com os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia. O julgamento tem um cronograma intenso, com sessões previstas para esta terça-feira e também para a manhã de quarta-feira (11). A expectativa é que o rigor do Supremo coloque um fim à impunidade de quem usa o mandato para extorquir prefeituras e desviar recursos que deveriam ir para a saúde, educação e infraestrutura das cidades maranhenses.

As defesas dos acusados tentam, a todo custo, desqualificar as provas colhidas pela PGR. Os advogados de Josimar Maranhãozinho afirmam que as denúncias são "frágeis", enquanto a equipe de Bosco Costa alega falta de provas concretas, tentando invalidar anotações manuscritas que ligam o parlamentar ao esquema. Já a defesa do Pastor Gil utiliza manobras processuais, alegando ilegalidade na origem das investigações para tentar anular o processo, uma tática comum entre aqueles que não conseguem explicar o patrimônio ou as negociações de bastidor.

A denúncia da PGR, no entanto, é baseada em um robusto conjunto de evidências que mostram como o "balcão de negócios" operava no Maranhão. O uso de "hipóteses e conjecturas", alegado pelos réus, cai por terra diante dos valores e datas apresentados pelos investigadores. O julgamento é visto como um marco no combate ao uso criminoso das emendas parlamentares, uma prática que se tornou sistêmica nos últimos anos e que o atual governo busca moralizar através de transparência e controle social rigoroso.

Enquanto o clã Bolsonaro silencia sobre os desvios de seus correligionários, o STF cumpre seu papel de guardião da moralidade pública. A condenação dos envolvidos servirá de alerta para que outros parlamentares não vejam as verbas da União como um cofre particular. O resultado deste julgamento será um passo fundamental para limpar a política brasileira de figuras que se escondem atrás de siglas partidárias e discursos religiosos para praticar crimes de corrupção ativa e passiva contra o Estado.

Com informações da Fórum

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