O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou um movimento de aproximação com o presidente Lula nesta terça-feira, afirmando na Casa Branca que "gosta" do líder brasileiro. Trump manifestou o desejo de que Lula exerça um papel de destaque no Conselho de Paz criado por Washington para tutelar a Faixa de Gaza. A declaração, carregada de intenções políticas, ocorre em um momento de isolamento do republicano, que completa um ano de volta ao poder sob tensões com a Europa e críticas globais ao seu estilo autoritário de governar.
A fala de Trump soou como uma tentativa de conter o impacto das críticas pesadas que Lula havia feito poucas horas antes. Em evento no Brasil, o presidente petista não poupou o republicano, afirmando que Trump tenta "governar o mundo pelo Twitter" e questionando a falta de respeito humano na condução da sua política externa. Lula criticou a forma como o americano trata questões globais como se fossem objetos, ignorando a dignidade dos povos, em um claro contraponto à diplomacia humanista e soberana que o Brasil voltou a exercer.
Assista ao vídeo:
??AGORA: Trump elogia Lula durante o discurso d0 primeiro ano de mandato:
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Donald Trump afirmou que gosta do presidente Lula e reforçou o convite para que o brasileiro participe do Conselho de Paz, criado pelos Estados Unidos para discutir a reconstrução da… pic.twitter.com/ulCIQCKE5H
Apesar das farpas vindas de Brasília, Trump insistiu no convite para que o Brasil integre o órgão que supervisionará o novo governo tecnocrático em Gaza. No entanto, o Itamaraty recebeu a proposta com extrema desconfiança. Existe uma preocupação real de que a iniciativa de Trump seja uma manobra para reduzir a influência da ONU e centralizar o controle da região nas mãos dos Estados Unidos e de seus aliados. O governo brasileiro, fiel ao multilateralismo, avalia o convite com cautela para não legitimar ações que firam a soberania internacional.
As declarações de Trump na entrevista coletiva tentam pintar um cenário de cordialidade que não condiz com a realidade das relações diplomáticas. Ao dizer que convidou Lula porque "gosta dele", o bilionário busca validar seu conselho com a presença de um líder mundial respeitado e de grande trânsito internacional, algo que Trump perdeu ao declarar guerras tarifárias contra seus próprios parceiros da Otan. Para Lula, a política externa é feita com diálogo olho no olho, e não com bravatas digitais ou imposições de força.
A postura de Lula reforça que o Brasil não é mais o quintal dos Estados Unidos, como foi durante o período bolsonarista. Ao questionar se é possível tratar o povo com respeito sem "olhar na cara", o presidente brasileiro marcou uma posição ética profunda contra o cinismo da extrema direita global. O Brasil ainda não deu uma resposta oficial sobre a participação no conselho em Gaza, aguardando para ver se a proposta oferece soluções reais de paz ou se é apenas mais um palco para o exibicionismo de Donald Trump.
O embate simbólico desta terça-feira resume o conflito entre dois projetos de mundo: um baseado no egocentrismo e na comunicação por redes sociais, personificado por Trump, e outro pautado pela dignidade humana e pela reconstrução das instituições internacionais, liderado por Lula. Enquanto o americano tenta usar o prestígio do brasileiro para salvar sua imagem desgastada, o governo Lula sinaliza que a cooperação só ocorrerá se houver respeito real aos direitos humanos e às normas globais, longe das armadilhas de Washington.
Com informações do DCM
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