827 visitas - Fonte: Plantão Brasil
O perfil de violência e impunidade que costuma acompanhar o radicalismo bolsonarista ganhou mais um capítulo trágico com o médico Carlos Alberto Azevedo Silva Filho, de 44 anos. Preso desde a última sexta-feira por assassinar a tiros dois colegas de profissão em um restaurante em Barueri, o agressor já carregava um histórico de covardia contra mulheres da própria família. Em maio de 2024, ele atacou a sobrinha com socos e chutes no Guarujá, após a jovem tentar proteger o filho do médico de suas agressões.
A ficha corrida de Carlos Alberto revela um comportamento perigoso que já deveria ter sido freado pela Justiça. Além de espancar a sobrinha, que chegava a morar com ele na época, o médico era alvo de uma medida protetiva obtida por sua ex-mulher após sofrer graves ameaças de morte. Esses episódios de violência doméstica desenham o perfil de um homem que resolve seus conflitos através da força bruta, sintoma de uma mentalidade que despreza a vida e os direitos humanos fundamentais.
O duplo homicídio dos médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes e Vinicius dos Santos Oliveira teria sido motivado por ganância. A investigação aponta que Carlos Alberto e Luís Roberto eram sócios em empresas de serviços hospitalares e travavam uma disputa contratual. Em vez de recorrer aos meios legais, o bolsonarista optou pelo extermínio dos parceiros de trabalho, reforçando a cultura armamentista e o desrespeito à lei que marcam o grupo político ao qual ele demonstrava alinhamento.
É revoltante notar que o caso da agressão contra a sobrinha foi arquivado pelo Ministério Público em novembro de 2024 sob a justificativa de "ausência de provas", mesmo com fotos de hematomas apresentadas pela vítima. A falta de um exame de corpo de delito foi o pretexto usado para que o agressor continuasse em liberdade, pronto para cometer o crime maior que chocou o país nesta semana. A impunidade de ontem abriu caminho para o sangue derramado em Barueri.
A defesa de Carlos Alberto tentou justificar a agressão familiar alegando que ele apenas "revidou" uma garrafada, tática comum de abusadores que tentam inverter o papel de vítima. No entanto, o histórico acumulado de ameaças contra a ex-esposa e o comportamento explosivo mostram que a sociedade estava diante de uma bomba-relógio. O médico bolsonarista agora responderá pelo fuzilamento dos colegas, mas o rastro de dor deixado em sua trajetória familiar é um alerta sobre a periculosidade do discurso de ódio.
O Brasil precisa discutir urgentemente como figuras com esse nível de agressividade e histórico de violência doméstica ainda ocupam espaços de prestígio e mantêm acesso a armas. A morte dos médicos Luís Roberto e Vinicius é a consequência final de um ciclo de violência que começou dentro de casa e foi alimentado pela certeza da impunidade. Que o rigor da lei, agora sob a vigência democrática, seja implacável com quem acredita que pode tirar vidas para satisfazer seus interesses financeiros.
Com informações do DCM
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