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O ex-vereador Carlos Bolsonaro visitou, nesta quarta-feira (21), o pai, Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a "Papudinha". A transferência para o local foi uma ordem direta do ministro Alexandre de Moraes, do STF, garantindo que o líder golpista responda por seus crimes atrás das grades. Após o encontro, Carlos usou as redes sociais para destilar sua habitual hipocrisia, reclamando que o pai divide espaço com "criminosos de alta periculosidade", esquecendo-se de que Bolsonaro está ali justamente por ser um deles.
A indignação seletiva de Carlos Bolsonaro beira o ridículo. Ao reclamar das condições da prisão, o filho do ex-presidente ignora décadas de discursos da própria família em defesa de presídios superlotados e penas brutais. Para quem sempre pregou que "bandido bom é bandido morto", vê-lo agora choramingar pelas condições do cárcere é a prova definitiva de que o rigor penal, na visão bolsonarista, só serve para os adversários. A "Papudinha", local para onde o ex-mandatário foi enviado, abriga diversos perfis criminais, condizente com a gravidade dos atos praticados pelo clã.
Durante a saída do batalhão, por volta das 13h35, Carlos tentou politizar a situação ao mencionar a "caminhada pela liberdade", um evento organizado pelo deputado Nikolas Ferreira. O grupo tenta dar uma roupagem de heroísmo a uma marcha que, na verdade, pede a soltura de criminosos que atentaram contra a democracia no dia 8 de janeiro. Ao chamar golpistas condenados de "presos políticos", o ex-vereador tenta inverter a realidade e criar uma narrativa de perseguição que não encontra amparo nos fatos nem na Justiça brasileira, que hoje atua para proteger as instituições.
Carlos Bolsonaro ainda teve a audácia de afirmar que seu pai "jamais desviou um centavo", ignorando as inúmeras investigações sobre joias desviadas, rachadinhas e uso indevido da máquina pública. Enquanto o Brasil celebra a volta da normalidade democrática com o governo Lula, o filho do ex-presidente fala em "inversão de valores", quando, na verdade, o que o país vive é a aplicação da lei para quem antes se julgava acima dela. A tentativa de comparar a prisão de um condenado por crimes contra o Estado com a história de quem foi injustiçado pelo lawfare é uma ofensa à inteligência do povo brasileiro.
A caminhada de 200 quilômetros entre Paracatu e Brasília é o último suspiro de uma militância que se recusa a aceitar a soberania das urnas e do Judiciário. Carlos Bolsonaro anunciou que retomaria o trajeto após a visita, mantendo o discurso de que vencerão a "inversão de valores". No entanto, o que se vê é um grupo político cada vez mais isolado e enredado em suas próprias mentiras. O choro de Carlos sobre as condições da Papudinha é o lamento de quem acreditava que a impunidade seria eterna e agora descobre que o sistema carcerário, que eles tanto exaltaram para os outros, também tem grades para a família Bolsonaro.
O isolamento de Jair Bolsonaro no batalhão da PM é o resultado final de uma trajetória marcada pelo desrespeito às leis e pela tentativa de implodir a democracia por dentro. Ver o filho do ex-presidente reclamar da convivência com "estupradores e sequestradores" apenas ressalta que, para o bolsonarismo, o sofrimento humano no sistema prisional só se torna uma questão de relevância quando atinge a própria pele. A justiça está sendo feita, e o Brasil segue firme no propósito de não permitir que criminosos, independentemente do sobrenome ou da patente, fiquem impunes pelos ataques desferidos contra a nação.
Veja a publicação no X:
Saindo agora do Complexo Penitenciário da Papuda.
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) January 21, 2026
É inacreditável ver o estado do ministro da Justiça Anderson Torres, de Silvinei Vasques e do meu pai, presos em um complexo penitenciário que abriga estupradores, sequestradores e criminosos de alta periculosidade.
Fico…