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A chegada do ex-presidente Jair Bolsonaro à unidade prisional da Papudinha escancarou o tratamento diferenciado que o líder do bolsonarismo continua recebendo, mesmo atrás das grades. Para acomodar o ex-mandatário com o conforto que ele exige, detentos que já ocupavam a Sala de Estado Maior foram sumariamente despejados. É o caso de uma advogada que, acusada de tráfico, teve que ser transferida às pressas para ceder espaço ao "ilustre" novo morador, gerando revolta entre as defesas técnicas que criticam o abalo psicológico causado por esses remanejamentos arbitrários.
As regalias não param na hospedagem. Por determinação do STF, Jair Bolsonaro terá um esquema de isolamento que afeta diretamente a liberdade dos demais presos. Se o ex-presidente decidir caminhar ou cuidar da horta, o local deve ser esvaziado, forçando um escalonamento de horários que prejudica o convívio dos outros custodiados. Enquanto o cidadão comum encara as mazelas do sistema carcerário, o ex-capitão desfruta de uma área externa privativa e de um regime de visitas muito mais flexível que o padrão da unidade, ocorrendo em dois dias da semana.
O impacto da presença de Bolsonaro também mexeu com os cofres públicos e a logística de saúde do Distrito Federal. Para atender ao comando de assistência médica 24 horas por dia, a Secretaria de Saúde precisou convocar profissionais extras para preencher escalas noturnas e de fins de semana exclusivamente para ele. É irônico que uma figura que sempre desprezou o serviço público agora dependa de uma estrutura de luxo montada às pressas dentro de um batalhão militar, enquanto a assistência regular na unidade sempre foi escassa.
O privilégio concedido a Bolsonaro já começou a mobilizar advogados de outros detentos, que pretendem acionar a justiça exigindo "igualdade de direitos". A disparidade entre o tratamento dado ao ex-presidente e aos demais presos da Papudinha, como militares e autoridades condenadas pela trama golpista, cria uma tensão jurídica perigosa. O reforço na vigilância do 19º Batalhão, onde também estão Anderson Torres e Silvinei Vasques, mostra que a "cúpula do golpe" continua exigindo mais gastos e atenção do que qualquer outro setor da segurança pública.
A cela ocupada por Bolsonaro, com 65 metros quadrados, é maior que a maioria dos apartamentos lançados em grandes metrópoles, consolidando a imagem de uma "prisão de elite". Esse cenário de concessões absurdas apenas reforça o repúdio ao bolsonarismo, que pregava rigor penal para os outros, mas agora se agarra a cada brecha judicial para garantir uma estadia confortável na Papudinha. A gestão do espaço físico, antes estável, agora vive em função dos caprichos e da segurança de um único homem.
O desfecho dessa ocupação VIP na Papudinha ainda promete novos capítulos de indignação. Entre o banho de sol exclusivo e o atendimento médico personalizado, Jair Bolsonaro tenta manter uma aura de importância que o sistema carcerário brasileiro raramente oferece a alguém. Resta saber até quando o Judiciário sustentará esse balé de concessões que transforma uma unidade de custódia em um anexo de privilégios para quem atentou contra a democracia.
Com informações do UOL
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