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A encenação de Nikolas Ferreira (PL-MG) pela BR-040 teve sua máscara derrubada nesta semana. O deputado, que tentava vender nas redes sociais a imagem de um peregrino resiliente em direção a Brasília, foi flagrado interrompendo o trajeto para se hospedar no Hotel Quartzo, um estabelecimento de alto padrão em Cristalina (GO). O gesto de "esforço pessoal" e "sacrifício sob sol forte" deu lugar ao conforto de um empreendimento luxuoso, revelando que a caminhada simbólica não passa de um teatro planejado para gerar engajamento digital.
O parlamentar bolsonarista iniciou o percurso na segunda-feira, saindo de Paracatu (MG), mas o suposto cansaço físico rapidamente o levou para os lençóis de um hotel de perfil sofisticado. Enquanto seus seguidores acreditavam em uma jornada de privações pela rodovia federal, Nikolas desfrutava da estrutura do Entorno do Distrito Federal sem cumprir qualquer agenda política. A parada para "recuperação física" reforça as suspeitas de que o trajeto feito a pé é mínimo, servindo apenas para as fotos e vídeos que alimentam sua militância nas redes.
Para completar a cena de bastidores, o ex-vereador Carlos Bolsonaro também foi flagrado deixando o mesmo hotel de luxo. A aparição de Carlos, que raramente sai de seu eixo habitual de atuação, confirma que a logística da caminhada conta com um apoio estruturado e a presença da cúpula do clã Bolsonaro, longe das dificuldades que tentam projetar publicamente. Não houve reuniões oficiais ou qualquer atividade que justificasse a presença dos dois no local, além do usufruto das mordomias pagas para o descanso da dupla.
Essa estratégia de "caminhada cenográfica" é uma tática conhecida do bolsonarismo para mimetizar movimentos populares e criar um senso de heroísmo artificial. A interrupção em Cristalina expõe a fragilidade da narrativa: o deputado mineiro prefere a comodidade de um hotel de alto padrão ao rigor da estrada que ele mesmo se propôs a enfrentar. A equipe de Nikolas tenta minimizar o impacto da revelação, alegando que o repouso é necessário, mas o contraste entre as imagens de "suor" e a realidade do hotel luxuoso é inevitável.
O deslocamento fake deve ser retomado nos próximos dias, quando o deputado voltará a gravar trechos isolados de caminhada nas cidades do Entorno antes de chegar à capital federal. O episódio de Cristalina retira qualquer credibilidade do gesto, transformando o ato político em uma excursão de elite financiada por uma estrutura que a maioria dos brasileiros jamais terá acesso. Enquanto Nikolas e Carlos Bolsonaro descansam no luxo, o teatro da "marcha pelo povo" segue sendo encenado para os celulares da extrema direita.
O repúdio a esse tipo de marketing político é necessário para desmascarar quem usa a fé pública e a indignação popular para construir carreiras baseadas em mentiras e aparências. Nikolas Ferreira, mais uma vez, demonstra que seu compromisso com a verdade é opcional, priorizando o conforto pessoal e a manipulação da realidade em vez do trabalho legislativo sério. A chegada a Brasília, cercada de mimos e hotéis caros, será o desfecho de uma das maiores farsas publicitárias promovidas pelos herdeiros de Jair Bolsonaro.
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