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Duas das três maiores redes de televisão aberta dos Estados Unidos, a ABC e a NBC, juntamente com o canal de notícias a cabo CNN, decidiram não transmitir em suas plataformas principais o pronunciamento em horário nobre realizado pelo presidente Donald Trump. O discurso, focado em segurança eleitoral a pouquíssimos meses das eleições legislativas de meio de mandato, desencadeou uma forte e imediata retaliação por parte do mandatário, que tem exercido uma pressão sem precedentes sobre a imprensa norte-americana. Durante a sua fala de 24 minutos proferida diretamente de seu resort em Mar-a-Lago, na Flórida, Trump atacou veementemente as empresas de comunicação que optaram por não transmitir o evento ao vivo na TV aberta, acusando-as de estarem envolvidas em uma conspiração para silenciá-lo e defendendo abertamente que a atitude deveria significar a perda de suas licenças e concessões de transmissão.
Especialistas jurídicos apontam que as emissoras possuem amplos direitos assegurados pela Primeira Emenda da Constituição dos EUA para decidir quais conteúdos desejam levar ao ar, de modo que o órgão que regula as concessões de rádio e TV no país não tem autoridade legal para revogar licenças com base no conteúdo editorial ou por decisões de cobertura de discursos políticos. Contudo, historicamente, os veículos de radiodifusão costumam transmitir pronunciamentos presidenciais sob o argumento de relevância pública nacional, mas desta vez a decisão das empresas refletiu um intenso debate interno sobre como equilibrar o dever de informar sem ceder espaço para a propagação de mentiras. Antes do evento, parlamentares democratas proeminentes, como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, e grupos de direitos civis pressionaram publicamente as redes de TV para que não exibissem o pronunciamento, preocupados com o uso do espaço para repetir alegações falsas e já desmentidas sobre fraudes no sistema de votação.
Como alternativa para o público, as emissoras optaram por fazer a cobertura de maneira contextualizada em suas plataformas digitais, direcionando as transmissões para seus serviços de streaming, rádio e portais de internet de modo a evitar o palanque aberto ao vivo. Na TV aberta tradicional, a programação seguiu normalmente com atrações de entretenimento e vida selvagem, bloqueando a tentativa da Casa Branca de utilizar o pronunciamento em rede nacional para expor dados confidenciais de inteligência sobre supostas interferências estrangeiras, o que gerava receios de desinformação generalizada até mesmo entre integrantes do próprio governo. Com o avanço do cerco jornalístico ao extremismo, a postura agressiva de Trump escancara o método autoritário que tenta sufocar a autonomia das empresas de comunicação sempre que sua narrativa golpista é confrontada pelos fatos.
Com informações da Reuters
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