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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou uma denúncia robusta contra o deputado estadual Rafael Nobre e o vereador de São João de Meriti, Julio Ricardo dos Santos Henriques, conhecido como Magrão Nobre, ambos do partido União Brasil. Eles são acusados de liderar um esquema criminoso que movimentou de forma fraudulenta mais de R$ 350 milhões em contratos públicos com as prefeituras de Magé e Japeri, na Baixada Fluminense. O procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, solicitou formalmente a perda dos mandatos eletivos de ambos à Justiça fluminense devido à gravidade das acusações.
Além dos dois parlamentares que usam o poder legislativo para fins escusos, outras oito pessoas foram denunciadas por integrar essa organização criminosa especializada em fraudar licitações, desviar verbas públicas e lavar dinheiro. O bando operava nos bastidores de empresas registradas em nome de laranjas e utilizava documentos falsos para vencer concorrências e garantir contratos públicos lucrativos, principalmente nos setores de merenda escolar, alimentação hospitalar e abastecimento de órgãos municipais na Baixada Fluminense.
As investigações apontam que a atuação da quadrilha começou em 2017, época em que Rafael Nobre exercia o mandato de vereador em Nilópolis. O grupo usava seu trânsito e influência política com prefeituras da Baixada Fluminense para direcionar os editais e blindar o funcionamento das empresas de fachada. Com autorização do Tribunal de Justiça, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no gabinete do deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), na Câmara Municipal de São João de Meriti e em endereços residenciais dos envolvidos.
Durante as buscas domiciliares, a polícia apreendeu R$ 21 mil em espécie na residência do deputado estadual Rafael Nobre. Na residência do vereador Magrão Nobre, foram localizados e confiscados outros R$ 45 mil em dinheiro vivo. A apreensão de valores elevados em notas físicas é um indício típico de lavagem de dinheiro e corrupção sistêmica de agentes que operam à margem da lei, nos moldes das práticas patrimonialistas da extrema direita e do fisiologismo partidário que corroem os cofres públicos fluminenses.
No total, as empresas envolvidas firmaram cerca de 45 contratos com os municípios investigados. Embora o rombo global seja bilionário, a denúncia atual foca em três contratos específicos onde as fraudes e a má prestação do serviço de alimentação ficaram tecnicamente comprovadas. O MPRJ cobra agora na Justiça a devolução integral de R$ 357,9 milhões para ressarcir o erário pelos prejuízos causados na saúde e na educação de Magé e Japeri.
O caso aguarda o recebimento da denúncia pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro para que os acusados se tornem réus. A defesa dos políticos e dos demais envolvidos ainda não se manifestou publicamente sobre os crimes de organização criminosa, falsidade ideológica, fraude licitatória e lavagem de capitais imputados pelo Ministério Público.
Com informações do Brasil 247
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