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Flávio Bolsonaro, reagiu com hostilidade e agressividade institucional à divulgação do novo levantamento do instituto Quaest nesta quarta-feira (15). Os dados apontam uma deterioração expressiva em suas intenções de voto, inclusive dentro de nichos tradicionalmente alinhados ao espectro conservador. Em suas redes sociais, o parlamentar tentou desqualificar o trabalho metodológico do instituto e buscou respaldo na sugestão do atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, de instituir um "selo de acerto" para monitorar as empresas de pesquisas eleitorais no país.
A análise detalhada da pesquisa encomendada pela Genial Investimentos indica que a pré-campanha do senador foi atingida simultaneamente por duas frentes de desgaste. A primeira delas, de caráter financeiro, refere-se às revelações de sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pivô de investigações policiais envolvendo o Banco Master. A segunda frente, de ordem familiar e partidária, decorre da repercussão do vídeo divulgado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro no final de junho, no qual ela relatou ter sido tratada de forma ríspida pelo enteado durante discussões internas de articulação política no PL.
O impacto desses episódios acabou por beneficiar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que registrou crescimento vigoroso entre o eleitorado classificado como "independente" — segmento que não se identifica com a polarização direta e costuma definir o resultado dos pleitos. No cenário de segundo turno testado pela Quaest entre esse grupo, Lula saltou de 29% em maio para os atuais 40% das intenções de voto. No mesmo período e segmento, Flávio Bolsonaro oscilou de 29% em maio para 27% em julho, após registrar uma queda ainda maior em junho, quando bateu 24%.
O revés político de Flávio Bolsonaro também se manifestou nas bases mais consolidadas da direita. Entre os eleitores que se autodeclaram puramente bolsonaristas, o senador registrou uma redução de seis pontos percentuais, caindo de 97% para 91% de apoio após o desentendimento público com a madrasta. O estrago foi ainda mais profundo no eleitorado de direita não bolsonarista, onde a somatória dos escândalos financeiros e familiares resultou em um declínio acumulado de 16 pontos percentuais desde o mês de abril, despencando de 90% para os atuais 74%.
De acordo com o levantamento da Quaest, a versão de Michelle Bolsonaro sobre a crise familiar foi amplamente acolhida pela opinião pública: 42% dos entrevistados declararam apoiar a ex-primeira-dama no episódio, enquanto apenas 18% manifestaram concordância com as explicações dadas pelo senador. O desgaste provocado pelo vídeo levou Michelle a se desligar do comando nacional do PL Mulher, expondo fraturas profundas na legenda e obrigando o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, a intervir para mitigar os danos à imagem da sigla.
Os resultados apresentados pela Quaest confirmam tendências de desgaste já sinalizadas por outros institutos em semanas anteriores, como as pesquisas Meio/Ideia e AtlasIntel, que apontaram que a maior parte do público considerou verídica a queixa de Michelle sobre ter sido humilhada pelo parlamentar. A pesquisa Quaest ouviu 2.004 eleitores em 120 municípios brasileiros entre os dias 10 e 13 de julho, apresentando margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%, estando devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob a identificação BR-7181/2026.
Veja a oublicação de Flávio no X:
" target="_blank">AQUIParabéns ao Presidente do TSE, Ministro Nunes Marques, pelo “selo de acerto” para institutos de pesquisa que mais acertarem o resultado das eleições.
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) July 15, 2026
Talvez se ele já existisse, teriam vergonha de publicar essa pesquisa da Quaest de hoje.
Ela deve ser reflexo de como o povo…