883 visitas - Fonte: PlantãoBrasil
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro enfrenta um novo e grave desgaste político para sua campanha. Uma investigação jornalística do ICL Notícias, em parceria com o Centro Latino-Americano de Investigación Periodística (CLIP), revelou uma fotografia na qual o parlamentar aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário". Apontado pela Polícia Federal (PF) como um dos operadores centrais do grupo criminoso comandado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, Mourão era investigado por ações violentas e intimidações contra jornalistas e adversários do empresário.
A revelação provocou reações imediatas na oposição. O ex-deputado Marcelo Freixo, que possui histórico de atuação no combate a milícias no Rio de Janeiro, utilizou suas redes sociais para questionar a proximidade entre o senador e o operador do grupo armado. Freixo destacou que a imagem, registrada em 2022 em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro, aponta para uma relação antiga entre Flávio Bolsonaro e o grupo de Daniel Vorcaro, contestando a versão de que o parlamentar não conhecia os envolvidos.
Para garantir a veracidade do material, a fotografia passou por um rigoroso processo de checagem técnica. Quatro ferramentas de detecção de inteligência artificial — Gemini, Hive Moderation, Sight Engine e Was It AI — analisaram o arquivo e descartaram qualquer indício de geração por computador. Além disso, a plataforma InVID, voltada à identificação de montagens, não encontrou sinais de manipulação digital. Os verificadores confirmaram que os elementos físicos da imagem, como a iluminação, as sombras nas mãos e os reflexos nos óculos escuros de ambos, são totalmente consistentes, comprovando que os dois homens compartilhavam o mesmo ambiente.
Em resposta à repercussão, a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro divulgou uma nota oficial na qual alega que o senador, por ser uma figura pública popular, tira fotos diariamente com dezenas de cidadãos nas ruas. O comunicado afirma ainda que o parlamentar não conhece Mourão e que não possui informações sobre a origem ou a autenticidade do registro. A explicação, no entanto, é rebatida por críticos que apontam a improbabilidade de uma aproximação estritamente casual em um hotel reservado por parte de um indivíduo com o perfil de Mourão.
Conhecido em Minas Gerais pelo apelido de "Mexerica", Mourão possuía uma extensa ficha criminal que incluía processos por organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato, agiotagem e crimes contra a economia popular desde 2021. Na estrutura de "A Turma", grupo montado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ele atuava no monitoramento de alvos e em ameaças físicas. Mensagens interceptadas pela Polícia Federal indicam que Mourão e Vorcaro chegaram a planejar um assalto simulado para intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Mourão cometeu suicídio em março deste ano, no momento em que os agentes da Polícia Federal realizavam sua prisão.
O episódio adiciona mais um elemento de conexão entre o filho do ex-presidente e o operador financeiro Daniel Vorcaro. Anteriormente, o portal Intercept Brasil revelou que Flávio Bolsonaro solicitou 134 milhões de reais ao empresário para financiar a produção do filme Dark Horse, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro, tendo recebido um repasse inicial de 61 milhões de reais. Na ocasião, Flávio e o produtor do longa-metragem, o deputado Mario Frias, inicialmente negaram o recebimento de recursos do banqueiro, recuando apenas após a divulgação de áudios que confirmavam a transação. A prestação de contas do projeto cinematográfico continua pendente de apresentação.
Com informação da Fórum
Plantão Brasil foi criado e idealizado por THIAGO DOS REIS. Apoie-nos (e contacte-nos) via PIX: apoie@plantaobrasil.net
Follow @ThiagoResiste
APOIE O PLANTÃO BRASIL - Clique aqui!
Se você quer ajudar na luta contra Bolsonaro e a direita fascista, inscreva-se no canal do Plantão Brasil no YouTube.