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No centro de uma das investigações mais explosivas sobre o uso eleitoreiro do Orçamento, o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, admitiu publicamente que atuou diretamente para capturar e manobrar as emendas parlamentares do deputado federal Tiririca. O depoimento do dirigente, longe de afastar as suspeitas da Polícia Federal, confirmou a engrenagem pela qual a cúpula do partido sequestra verbas do erário para inflar prefeituras administradas por aliados políticos da legenda, escancarando o uso privado de recursos que deveriam ser distribuídos sem interferência partidária.
A estratégia de Valdemar foi posta em prática no final do ano passado, no exato momento em que Tiririca preparava sua desfiliação do PL para migrar para o PSD. Segundo o próprio cacique partidário, ele ordenou que o parlamentar repassasse o controle de seu saldo de emendas para a direção nacional do partido. Valdemar tentou disfarçar o aparelhamento político alegando que a presidência da sigla possui uma visão nacional mais qualificada que a dos próprios deputados eleitos, assumindo para si a prerrogativa de decidir, à margem dos critérios técnicos do Estado, para onde seriam enviados os milhões de reais devidos aos contribuintes.
O cruzamento de dados feito pelos investigadores da PF desmorona o argumento de regularidade burocrática levantado pelo chefe do PL. Das emendas monitoradas na investigação, uma fatia assustadora de R$ 97 milhões foi carimbada e liberada na semana limite que antecedia o prazo final de transferências federais para as eleições municipais. A manobra revela um direcionamento deliberado para injetar dinheiro público em municípios específicos com o objetivo claro de pavimentar e financiar as campanhas de prefeitos do PL, burlando o equilíbrio democrático das disputas regionais.
"Quando falam que bloquearam R$ 119 milhões, muita gente pensa que eu tenho isso na conta... Eles bloquearam o tamanho das emendas, não o dinheiro que eu tenho" — Valdemar Costa Neto, em tom de deboche ao tentar minimizar a gravidade da decisão judicial.
Investigado pelos crimes de peculato e associação criminosa, Valdemar tentou ironizar a ordem de bloqueio de bens determinada pelo ministro do STF, Flávio Dino. O congelamento atinge o valor integral do esquema investigado justamente para blindar o erário contra novos repasses suspeitos promovidos pela rede de servidores da Câmara que, segundo a Polícia Federal, operava sob ordens diretas de Valdemar. A decisão do Supremo impõe uma barreira urgente contra as manobras de um dirigente partidário que, mesmo sem mandato ou delegação popular, utilizava a estrutura da liderança do parlamento como um balcão privado de negócios eleitorais.
Com informações do jornal O Globo
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