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O senador Sergio Moro, atual pré-candidato ao governo do Paraná pelo PL, será confrontado pelo Partido dos Trabalhadores com as graves acusações que ele próprio fez contra Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro em seu livro "Contra o Sistema da Corrupção", lançado em dezembro de 2021. Adversários do ex-juiz da Operação Lava Jato planejam usar a obra para expor a completa falta de coerência do político, que agora tenta esconder seu passado de denúncias para se abraçar ao bolsonarismo em busca de poder no estado. Requião Filho, deputado estadual do PDT e oponente de Moro na disputa pelo governo paranaense, garantiu que a campanha vai escancarar esses trechos, apontando que o senador sequer assina embaixo do que escreve.
Na publicação de 2021, escrita na tentativa frustrada de viabilizar uma candidatura presidencial, Moro revelou que Jair Bolsonaro sabotou pessoalmente as estruturas de combate aos desvios de recursos públicos com o único objetivo de blindar Flávio Bolsonaro no escândalo das rachadinhas. Entre as revelações do ex-ministro da Justiça, destaca-se a sanção presidencial do juiz das garantias, uma manobra do Congresso que, segundo Moro, desfez qualquer ilusão sobre o compromisso do ex-capitão com a integridade pública. Moro também detalhou a pressão do Palácio do Planalto para intervir no Coaf e substituir a chefia do órgão após o então presidente do STF, Dias Toffoli, suspender as apurações contra Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz, classificando o episódio como uma tentativa de destruir o sistema nacional de prevenção à lavagem de dinheiro para salvar o filho de um governante.
As denúncias contidas no livro de Moro também confirmam a conivência do governo anterior com o crime organizado, ao relatar que o Planalto barrou a transferência de lideranças do PCC para penitenciárias federais de segurança máxima. O presidente do PT no Paraná, Arilson Chiorato, destacou que o próprio ex-juiz forneceu as provas escritas de que a extrema direita nunca combateu as facções criminosas. Diante da repercussão, Moro tentou se esquivar do próprio livro declarando em nota que as divergências ficaram no passado, justificando a aliança vergonhosa com os antigos desafetos sob o pretexto de combater o governo do presidente Lula, chegando ao ponto de rotular Flávio Bolsonaro como o único nome capaz de vencer o projeto petista.
A capitulação de Moro ao clã expõe um oportunismo escandaloso, especialmente diante do histórico de ataques mútuos entre ele e o senador do PL. Em 2022, Flávio Bolsonaro publicou um artigo acusando Moro de cometer abusos de autoridade e realizar combinações ilegais com integrantes do Ministério Público Federal, atribuindo à conduta ilegal do ex-magistrado a anulação das condenações injustas contra o presidente Lula. Hoje, ignorando as ofensas e as denúncias de corrupção familiar descritas em sua própria obra de memórias, Moro se junta aos mesmos personagens que denunciou, revelando o fisiologismo de sua trajetória política.
Com informações do DCM
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