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O Tribunal Superior Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral analisam uma grave suspeita de propaganda eleitoral antecipada envolvendo o clã da extrema direita. A investigação foca na carta golpista escrita pelo inelegível Jair Bolsonaro e divulgada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. O escândalo estourou após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, proibir Flávio Bolsonaro de visitar o pai por 90 dias e encaminhar o caso para apuração de crime eleitoral. O ministro apontou que o uso de vídeos na internet com expressões equivalentes a uma solicitação explícita de voto configura uma clara ilegalidade no período de pré-campanha.
A equipe do vice-procurador-geral Eleitoral, Alexandre Espinosa, ficou encarregada de examinar a responsabilidade dos envolvidos e o teor criminoso da mensagem. De acordo com a Lei das Eleições, a propaganda eleitoral oficial é terminantemente proibida antes de 15 de agosto, e o descumprimento da norma sujeita os infratores a multas de até R$ 25 mil. Embora a legislação permita a apresentação de ideias e qualidades pessoais dos pré-candidatos, ela veda qualquer pedido de voto, seja ele literal ou disfarçado por meio de recursos linguísticos que tentem enganar a fiscalização da Justiça Eleitoral.
Para tentar contornar a lei, o clã bolsonarista recorreu ao que os juristas chamam de "palavras mágicas", tática de usar termos com significado idêntico ao pedido de voto para burlar as restrições vigentes. Em julgamentos anteriores, ministros do TSE como Floriano Marques de Azevedo já pacificaram o entendimento de que a fraude eleitoral se configura quando o conteúdo semântico das postagens induz claramente o eleitor a votar no candidato. Na correspondência lida por Flávio Bolsonaro, o ex-presidente exigia mobilização em torno do herdeiro, chamando-o de melhor opção e conclamando os seguidores a se empenharem por sua candidatura presidencial.
Apesar da evidente manobra para antecipar a disputa nas redes sociais, interlocutores da Justiça Eleitoral avaliam que o episódio, de forma isolada, não deve acarretar a revogação da prisão domiciliar de Jair Bolsonaro. A apuração técnica vai se concentrar na responsabilização direta pela divulgação ilegal do material e no benefício ilícito obtido pela pré-campanha de Flávio Bolsonaro, expondo mais uma vez a prática sistemática do grupo de atuar às margens das regras democráticas estabelecidas no país.
Com informações do Brasil 247
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