Senado argentino vota projeto de Milei que retira limites para estrangeiros bilionários comprarem terras

Portal Plantão Brasil
15/7/2026 14:53

Senado argentino vota projeto de Milei que retira limites para estrangeiros bilionários comprarem terras

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O governo ultraliberal e entreguista de Javier Milei se prepara para dar mais um passo na destruição da soberania da Argentina. O Senado do país vizinho deve analisar nesta quinta-feira um dos projetos mais perigosos e antipatrióticos de sua gestão: a liberação irrestrita para que investidores estrangeiros comprem terras rurais. A proposta, que faz parte da chamada Lei de Inviolabilidade da Propriedade Privada, revoga os limites cruciais estabelecidos pela Lei de Terras Rurais de 2011, que protegia o território nacional de investidas do grande capital internacional. Se aprovada, a medida eliminará o teto que hoje impede estrangeiros de controlarem mais de 15% das terras cultiváveis do país, além de derrubar o limite de mil hectares por proprietário nas zonas agrícolas mais produtivas, permitindo inclusive a venda de áreas de fronteira e próximas a reservas de água.

Para tentar justificar a entrega do próprio solo, o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, recorreu ao velho discurso neoliberal ao afirmar que as leis de proteção vigentes apenas serviram para afastar investimentos bilionários nas áreas de silvicultura e agroindústria. O governo argumenta que haverá uma distinção jurídica para impedir que Estados estrangeiros ou empresas estatais controlem essas terras sem autorização prévia, endurecendo regras contra o uso de laranjas. Contudo, defensores do mercado imobiliário rural, como Lucas Palma, presidente da Câmara Imobiliária Rural, tentam minimizar os riscos alegando que a participação estrangeira atual é de apenas 6% dos 266,7 milhões de hectares do país, um patamar teoricamente muito abaixo do limite histórico e com baixa concentração em províncias centrais como Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé.

A realidade por trás desse projeto é alarmante, pois a eliminação de restrições legais escancara as portas para que corporações internacionais comprem florestas inteiras, áreas estratégicas de fronteira e recursos hídricos vitais, dificultando severamente a fiscalização contra a lavagem de dinheiro por meio de sociedades de fachada. O desmonte promovido por Javier Milei vai na contramão de vizinhos sul-americanos: o Brasil mantém rígidos limites para a aquisição de terras por estrangeiros em âmbito municipal e o Uruguai exige a identificação minuciosa dos beneficiários finais das propriedades rurais para evitar abusos corporativos. Apenas o Paraguai desponta como um exemplo de alta concentração de terras sob domínio de capital externo, especialmente em regiões fronteiriças.

O apetite do capital estrangeiro por essa liquidação do território argentino já atrai figuras sombrias da extrema direita global, como o bilionário da tecnologia Peter Thiel. Cofundador do PayPal e um dos principais financiadores de Donald Trump, o empresário estadunidense intensificou sua aproximação com o governo de Javier Milei nos últimos meses. Thiel, que nasceu na Alemanha e acumula passaportes da Nova Zelândia e de Malta, comprou uma mansão luxuosa em Buenos Aires e realizou jantares com economistas locais, nos quais debateu teorias bizarras envolvendo o Anticristo. O bilionário enxerga a Argentina como seu mais novo porto seguro contra cenários catastróficos, como uma eventual guerra nuclear ou o colapso decorrente de inteligências artificiais descontroladas no hemisfério norte.

Demonstrando total alinhamento com a agenda de desregulamentação radical de Javier Milei, Peter Thiel tem sido tratado com tapete vermelho pela gestão argentina, que cogitou oferecer ao investidor estrangeiro a concessão de residência permanente ou até mesmo a cidadania do país. Enquanto o povo argentino sofre com as consequências de políticas de austeridade severas, o governo local foca em facilitar a vida de magnatas que buscam refúgio patrimonial e pessoal. A votação no Senado argentino representa, portanto, um marco divisor que pode consolidar uma das maiores transferências de controle territorial da história recente da América do Sul para as mãos do grande capital internacional.

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Com informações do DCM


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