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A equipe de campanha do senador Flávio Bolsonaro, herdeiro político do clã extremista, tenta desesperadamente inflar a sua corrida ao Palácio do Planalto transformando as transmissões ao vivo na internet em sua principal ferramenta eleitoral. Interlocutores do comitê revelaram que a estratégia busca mimetizar o formato tosco de comunicação direta popularizado por Jair Bolsonaro, na tentativa de recuperar o engajamento digital da militância radical e estancar a rejeição do pré-candidato. Sem um cronograma rígido definido, os marqueteiros avaliam que a flexibilidade das aparições virtuais permitirá ao parlamentar reagir de forma rápida aos seus constantes reveses jurídicos e políticos.
O exemplo dessa tática de improvisação ocorreu nesta segunda-feira, logo após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, aplicar uma punição exemplar ao suspender por 90 dias o direito de Flávio de visitar o próprio pai na prisão. Para tentar faturar politicamente em cima da sanção, a campanha organizou uma transmissão de última hora na qual o senador apareceu em uma sacada no Rio de Janeiro, com uma bandeira brasileira estendida. O tom pretensamente espontâneo e vitimista da gravação agradou aos seus aliados mais próximos, que buscam qualquer pretexto para atacar as instituições democráticas.
A intensificação das lives do senador é recente e incluiu tentativas frustradas de misturar futebol e política, com transmissões de aquecimento para jogos da seleção brasileira na Copa do Mundo ao lado de figuras como Rogério Marinho, o prefeito paulistano Ricardo Nunes e o deputado Guilherme Derrite. Flávio também utilizou o espaço para tentar capitalizar sua questionável atuação nos Estados Unidos diante da ameaça de tarifas comerciais impostas pelo governo do presidente estadunidense Donald Trump, discutindo virtualmente uma audiência promovida pelo Escritório do Representante de Comércio daquele país.
O estopim para a dura decisão de Alexandre de Moraes foi uma live realizada no último sábado, na qual Flávio leu na íntegra uma carta escrita por Jair Bolsonaro de dentro do cárcere, na qual o ex-presidente pedia votos para o filho e o autoproclamava seu porta-voz oficial. Ao analisar o episódio, o magistrado do STF entendeu que o senador cometeu um evidente desvio de finalidade, utilizando o benefício das visitas familiares exclusivamente para obter um panfleto eleitoral destinado a alimentar as redes sociais da extrema direita e tumultuar o processo democrático.
Irritado com a punição, Flávio usou sua transmissão seguinte para atacar o Supremo Tribunal Federal, alegando sem provas que a proibição temporária de visitas seria uma interferência direta de Alexandre de Moraes no pleito presidencial de 2026. O senador bolsonarista tentou criar uma falsa simetria ao comparar a prisão de seu pai com o período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve injustamente detido em Curitiba, acusando o tribunal de buscar pretextos para manter o ex-presidente encarcerado e minar as chances da oposição.
A máquina de propaganda de Flávio Bolsonaro planeja colocar no ar uma nova transmissão nesta semana, agendada para quinta-feira, desta vez com a participação de Daniella Marques, coordenadora do programa voltado ao eleitorado feminino. A equipe tenta criar um verniz de proposta programática para um formato historicamente marcado pela disseminação de notícias falsas, ataques a adversários e bizarrices estéticas, que contavam até com sanfoneiros de apoio no antigo modelo presidencial que a campanha agora tenta copiar.
Com informações O Globo
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