Câmeras corporais apagadas em momento de tiro reacendem debate sobre letalidade da PM de Tarcísio

Portal Plantão Brasil
15/7/2026 18:00

Câmeras corporais apagadas em momento de tiro reacendem debate sobre letalidade da PM de Tarcísio

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O assassinato de José Carlos da Rocha Sobrinho, um diácono de 43 anos da Assembleia de Deus Jeová Rapha, expõe mais uma vez a face violenta e descontrolada da Polícia Militar do Estado de São Paulo sob o comando do governador Tarcísio de Freitas. O crime ocorreu na última segunda-feira no bairro São Rafael, na zona Leste da capital paulista. Em vez de apresentar provas técnicas de sua atuação, a corporação recorreu ao velho roteiro de criminalização da vítima para justificar a execução, enquanto as câmeras corporais que deveriam fiscalizar os agentes simplesmente não registraram o momento dos disparos.

De acordo com o depoimento oficial dos policiais envolvidos, José Carlos dirigia seu carro quando recebeu uma ordem de parada durante um patrulhamento de rotina. Os policiais afirmam que ele desobedeceu à ordem e, ao ser cercado, teria apontado uma pistola Glock calibre .380 com numeração raspada na direção da equipe. A reação dos agentes foi letal: o religioso foi alvejado com tiros no pescoço, na nuca e na coxa direita — locais que sugerem uma ação desproporcional e pelas costas. Embora tenha sido levado ao Pronto-Socorro de Sapopemba, ele não resistiu aos ferimentos. Logo após a ocorrência, a PM apressou-se em divulgar que o diácono possuía antecedentes criminais e integraria a facção PCC, uma tática manjada para desviar o foco do abuso policial.

A comunidade e a liderança religiosa rejeitaram imediatamente a narrativa construída pela polícia para tentar manchar a reputação do morto. A Assembleia de Deus Jeová Rapha publicou uma nota oficial em suas redes sociais prestando homenagem a José Carlos, destacando seu histórico de dedicação, fé, humildade e trabalho social voluntário voltado aos mais necessitados da região. A contradição entre a imagem do cidadão integrado à comunidade e o rótulo de criminoso perigoso colado pela PM inflamou os moradores do bairro São Rafael.

Na terça-feira, o sentimento de revolta se transformou em protesto popular nas ruas do bairro periférico. Barricadas de pneus e entulhos foram incendiadas nas proximidades da Rua Miguel Ferreira de Melo e o bloqueio se estendeu até a Avenida Jacu-Pêssego, um dos eixos de trânsito mais importantes da zona Leste de São Paulo. A Tropa de Choque foi enviada para reprimir a manifestação e o Corpo de Bombeiros atuou para conter as chamas. Durante a ação de dispersão, um homem de 52 anos foi detido pela Secretaria de Segurança Pública sob a acusação de atirar pedras contra viaturas.

O elemento mais escandaloso do caso reside na ausência de transparência técnica. Os próprios policiais militares envolvidos no homicídio admitiram que as câmeras acopladas às suas fardas só foram ligadas depois que os tiros contra José Carlos já haviam sido efetuados. O "vácuo" deliberado de gravação no instante em que o diácono supostamente ameaçou os PMs impede qualquer verificação independente da legítima defesa alegada pelos agentes. Não há outras câmeras de segurança na rua e nenhuma testemunha presencial foi localizada para dar sua versão.

Diante da gravidade dos fatos e do clamor popular, a Corregedoria da Polícia Militar foi acionada para acompanhar o inquérito instaurado no 49º Distrito Policial de São Mateus. O Instituto de Criminalística iniciou os trabalhos de perícia no carro da vítima e o Instituto Médico Legal expediu laudos cadavéricos para detalhar a trajetória das balas que atingiram José Carlos. O episódio joga luz novamente sobre o desmonte do programa de câmeras corporais em São Paulo e a persistente letalidade da polícia militar dirigida a moradores de áreas periféricas.

Com informações da Fórum

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