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O sumiço de praticamente todo o acervo histórico do Palácio das Mangabeiras, que serviu como residência oficial de 17 governadores mineiros, gerou uma forte mobilização de deputados estaduais mineiros alinhados ao campo progressista e já virou alvo de investigações formais no Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais e na Polícia Federal. Em uma vistoria minuciosa realizada no dia 2 de julho, parlamentares de esquerda constataram o esvaziamento quase total do prédio projetado por Oscar Niemeyer e com jardins de Burle Marx, encontrando apenas cinco itens remanescentes: um piano, uma mesa de centro, duas poltronas e um sofá. Nenhuma outra peça histórica ou decorativa do mobiliário original foi localizada no imóvel.
Diante do escândalo envolvendo o patrimônio público, o ex-governador de extrema direita Romeu Zema, do partido Novo, adotou uma postura de absoluto deboche e desdém pela história mineira. Em declarações à imprensa na sexta-feira, Romeu Zema negou qualquer irregularidade e classificou as relíquias desaparecidas como "móveis velhos", argumentando que a suposta economia gerada por ele ao morar em sua própria residência compensaria financeiramente qualquer perda patrimonial do Estado. Zema deixou o comando do governo de Minas Gerais em março de 2026, frustrando a promessa de campanha de transformar o palácio em um museu.
O acervo desaparecido do Palácio das Mangabeiras inclui um valioso patrimônio cultural de 1.038 livros raros que haviam sido totalmente restaurados durante a gestão do ex-governador Antônio Anastasia. Sumiram também itens de alto valor material e histórico, como pratarias, copos de cristal, tapetes nobres, uma mesa de jantar projetada para acomodar 40 pessoas, além de todos os equipamentos de uma sala de cinema completa e de uma cozinha industrial. Para agravar a situação, os parlamentares descobriram que o governo do Estado sequer possui um inventário completo e atualizado, impossibilitando mensurar a quantidade real de peças subtraídas.
O Tribunal de Contas aceitou uma representação formulada pelo deputado estadual Leleco Pimentel, do PT, que denunciou a falta de zelo com os bens tombados e a ausência de termos de vistoria após a cessão do palácio para mostras privadas de decoração. Paralelamente, a deputada estadual Bella Gonçalves, também do PT, protocolou uma notícia-crime junto à Polícia Federal para que o destino do acervo seja investigado na esfera criminal. Registros preliminares apontam contradições documentais sobre a partilha e doação de dezenas de itens entre órgãos estaduais, e os organizadores de eventos de design afirmam que o prédio já havia sido entregue quase vazio em 2019.
Os parlamentares que conduziram a fiscalização relataram ainda um cenário desolador de abandono físico na estrutura do palácio histórico, onde viveu o ex-presidente Juscelino Kubitschek. Foram identificados graves problemas de infiltração nas paredes, focos severos de mofo sob as bancadas das pias e a destruição de revestimentos originais, como os carpetes da antiga sala de projeção de cinema. Em resposta à crise, o atual governador Mateus Simões, do PSD, e a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais negaram as irregularidades e sustentam que as obras literárias e artísticas foram remanejadas para museus locais e para a Biblioteca Pública Estadual.
Veja a denúncia de Hildegard Angel no X:
O escândalo mais escândalo do momento, além do Banco Master, é o escandaloso desaparecimento integral do conteúdo do Palácio das Mangabeiras, do Governo de Minas Gerais. Entre móveis históricos, tapetes, quadros, prataria, louçaria, santaria, adornos, sumiu tudo, tudinho, não…
— Hildegard Angel Oficial (@hilde_angel) July 11, 2026