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O pacote com 34 medidas para a flexibilização de regras na venda de armas promovido pelo governo de Donald Trump, nos Estados Unidos, deve facilitar significativamente o acesso a armamento pesado por facções criminosas no Brasil. Especialistas em segurança pública e consultores do Instituto Sou da Paz alertam que as novas diretrizes do Departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos facilitam a compra de armamentos pelos correios, reduzem o tempo de registro de vendas e afrouxam a checagem de antecedentes. O cenário é alarmante para o território nacional, visto que um estudo publicado no Journal of Illicit Economies and Development apontou que, de 1,7 mil fuzis ilegais apreendidos na Região Sudeste do Brasil, 54% tinham como origem justamente os Estados Unidos, colocando o país norte-americano no topo do fornecimento desse recurso decisivo para a expansão do crime organizado.
A grande preocupação das autoridades brasileiras reside no fato de que os Estados Unidos já funcionam como um dos principais mercados abastecedores de cartéis e gangues em locais como o México e o Haiti, e a nova desregulamentação agrava o contrabando de peças semiprontas e armas desmontadas que burlam facilmente as fiscalizações alfandegárias. A situação se tornou ainda mais complexa após o governo Trump revogar restrições de exportação para vizinhos estratégicos do Brasil na América Latina, como Paraguai, Colômbia, Suriname, Bolívia e Peru. Essa abertura de mercado atende estritamente a fortes interesses econômicos locais, visto que a indústria bilionária de armas estadunidense viu seu faturamento disparar nos últimos anos, colocando lucros corporativos acima de qualquer preocupação humanitária ou de segurança internacional.
Pesquisadores do Laboratório de Análise da Violência da Uerj apontam uma profunda contradição na política externa de Washington, que discursa publicamente sobre o combate aos cartéis latino-americanos e o tráfico de drogas, mas escancara as portas para que essas mesmas organizações comprem fuzis de última geração fabricados em solo americano. Cientistas sociais alertam que, para combater eficazmente o crime organizado, seria necessário sufocar a demanda de drogas nas potências econômicas e, simultaneamente, frear a oferta de armas de estilo militar. Ao flexibilizar controles internos e exportar armamentos com menos avaliações de risco, a gestão de Trump caminha na contramão da segurança global, deixando as fronteiras sul-americanas vulneráveis e fornecendo o poder de fogo que sustenta a violência urbana nas periferias brasileiras.
Com informações da Agência Brasil
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