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O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, revelou em depoimento prestado à Polícia Federal que a decisão de decretar a liquidação do Banco Master foi mantida sob sigilo absoluto devido à falta de confiança em dois integrantes da gestão do ex-presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Segundo o relato prestado aos investigadores, tanto Aquino quanto o atual presidente do órgão, Gabriel Galípolo, optaram por não comunicar os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza sobre o procedimento motivados por um histórico de vazamentos sistemáticos de informações internas direcionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A decisão de liquidar a instituição financeira foi consolidada em novembro do ano passado e comunicada oficialmente ao mercado financeiro um dia após a primeira prisão de Daniel Vorcaro. Aquino destacou no depoimento que nem mesmo a diretoria colegiada do Banco Central tinha conhecimento prévio da medida até o momento formal da votação, estratégia adotada rotineiramente em ações dessa natureza para evitar que os investigados tomem conhecimento antes da chegada dos fiscais e consigam adotar medidas de contenção ou ocultação de provas.
As investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam que Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza mantinham canais de comunicação direta com a estrutura comandada por Daniel Vorcaro. Os dois servidores são apontados como participantes do grupo conhecido como "A Turma", voltado a prestar consultorias informais ao banqueiro, orientar procedimentos administrativos e repassar informações estratégicas em troca de remuneração. As suspeitas sobre o recebimento de propina foram reportadas à cúpula do Banco Central em janeiro deste ano, culminando no afastamento administrativo de ambos os funcionários.
Pouco antes de ser preso no aeroporto internacional enquanto tentava deixar o país, Daniel Vorcaro participou de uma reunião virtual com Ailton de Aquino e Belline Santana na qual apresentou uma proposta de venda do Banco Master ao grupo Fictor. De acordo com o relatório da Polícia Federal, o banqueiro pressionou por um posicionamento favorável da autoridade monetária, mas o diretor de Fiscalização encerrou a audiência sem firmar compromissos, encaminhando o voto de liquidação para a aprovação unânime da diretoria na mesma data.
Apesar da atuação técnica para fechar a instituição financeira e aprovar a liquidação, Ailton de Aquino passou a ser alvo de especulações na imprensa sobre uma suposta proximidade com o controlador do Banco Master. Por outro lado, as apurações policiais e decisões judiciais confirmaram que a atuação ilícita partia dos quadros ligados à gestão anterior do Banco Central, que atuavam ativamente para favorecer os interesses de Vorcaro perante o órgão regulador do sistema financeiro.
As defesas dos citados apresentaram suas manifestações. A representação jurídica de Paulo Sérgio Neves de Souza informou que os valores recebidos decorrem da venda legítima de uma propriedade rural realizada em 2020 a um parente de Daniel Vorcaro, sem relação com as atividades do banco. A defesa de Belline Santana declarou que o servidor jamais recebeu pagamentos do banqueiro, que não praticou atos para favorecer a instituição e que prestou todos os esclarecimentos técnicos às autoridades competentes.
Com informações da Fórum
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