Histórico de Flávio Bolsonaro revela defesa de milícias e ataques a juízas que combatiam o crime
Levantamento resgata episódios em que o senador Flávio Bolsonaro defendeu grupos paramilitares e criticou magistradas que enfrentavam policiais envolvidos em atividades criminosas.

O histórico político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é marcado por episódios controversos envolvendo a defesa de milícias e críticas públicas a magistradas que atuavam no combate a grupos de extermínio e irregularidades no sistema prisional. Registros da época em que era deputado estadual no Rio de Janeiro mostram que o parlamentar chegou a propor a regulamentação de milícias, classificando-as como uma alternativa de segurança para as comunidades.
Em fevereiro de 2007, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Flávio argumentou que esses grupos não deveriam ser estigmatizados. Segundo ele, a presença de policiais nas milícias trazia benefícios aos moradores. O parlamentar chegou a declarar que estaria disposto a pagar por esse tipo de serviço e se posicionou contra a criação de uma CPI para investigar as organizações, que só seria instalada em 2008 após a tortura de jornalistas.
A postura do senador também se manifestou em ataques diretos ao Judiciário. Em 2011, horas após o assassinato da juíza Patrícia Acioli — conhecida por condenar policiais envolvidos em crimes —, Flávio utilizou as redes sociais para criticar a magistrada. Ele afirmou que a forma como ela tratava os agentes nas sessões contribuía para que tivesse muitos inimigos. O crime, que chocou o país, resultou na condenação de 11 policiais militares, incluindo o mandante da execução.
Anos mais tarde, em 2015, Flávio voltou a confrontar uma magistrada. Após a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza ser agredida e ameaçada por detentos durante uma fiscalização no Batalhão Especial Prisional (BEP) — onde encontrou regalias como churrasqueiras e eletrodomésticos em celas de policiais —, o parlamentar saiu em defesa dos agressores. Ele questionou a conduta da juíza, alegando que ela agia com excessos e desrespeitava os presos.
Os policiais envolvidos na agressão à juíza Daniela possuíam histórico de acusações graves, incluindo homicídio, corrupção e extorsão. Questionado sobre o episódio durante a campanha eleitoral de 2016, Flávio afirmou que não conhecia os envolvidos e que sua intervenção visava apenas defender o respeito no tratamento aos detentos.
Fonte: ICL Notícias

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