A verdade sobre a suposta 'soltura automática' de presos citada por Flávio Bolsonaro
Checagem de fatos esclarece que não existe política de liberação automática de detentos por falta de vagas, desmentindo declaração feita em debate.

Foto: Selo ENGANOSO — Checagem em tempo real da Revista Fórum no debate presidencial na Globo - · Original e licença
Durante o recente debate eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a atual política do governo Lula seria de "desencarceramento", alegando que, diante da falta de vagas em presídios, o Executivo estaria soltando "todo mundo". A declaração, no entanto, não encontra respaldo na realidade jurídica brasileira e foi classificada como enganosa.
Na prática, não existe qualquer norma ou diretriz governamental que autorize a liberação automática de presos por falta de espaço nas unidades prisionais. O que vigora no país é a Súmula Vinculante 56 do Supremo Tribunal Federal (STF), estabelecida em 2016, muito antes do atual mandato presidencial. O entendimento jurídico determina apenas que a falta de vaga não justifica manter um condenado em regime mais rigoroso do que aquele ao qual ele tem direito.
Cabe exclusivamente ao Poder Judiciário, e não ao governo federal, analisar cada caso individualmente. Em situações de superlotação, o magistrado pode optar por medidas como a monitoração eletrônica, prisão domiciliar ou saída antecipada, sempre respeitando critérios legais. Além disso, o Plano Pena Justa, homologado pelo STF em dezembro de 2024, foca no combate à superlotação, mas não prevê a soltura de condenados por crimes violentos.
Em resumo
- Não existe regra que libere presos automaticamente por falta de vagas.
- A decisão sobre mudança de regime ou soltura é uma prerrogativa exclusiva do Judiciário.
- A Súmula Vinculante 56 do STF impede que detentos cumpram penas em regimes mais severos do que o sentenciado.
- O Plano Pena Justa visa organizar o sistema prisional, sem determinar a liberação de criminosos perigosos.
Fonte: Revista Fórum

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