Política

Zezé di Camargo ataca Bolsa Família, mas fatura milhões com verbas públicas no Nordeste

Cantor criticou programas sociais enquanto levantamento aponta que ele recebeu R$ 22,5 milhões em cachês de prefeituras nordestinas nos últimos dois anos.

Foto: O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o cantor Zezé di Camargo. Foto: Reprodução/Redes Sociais · Original e licença

O cantor Zezé di Camargo, que declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência, protagonizou uma polêmica ao classificar políticas assistenciais como o Bolsa Família como uma forma de "esmola". Em vídeo divulgado na última quinta-feira (22), o sertanejo defendeu que a população não deve depender de auxílios estatais, pregando a busca por oportunidades.

A declaração, no entanto, contrasta com o histórico recente de contratações do artista pelo poder público. Segundo levantamento do projeto Farras, do observatório De Olho nos Ruralistas, Zezé di Camargo — sozinho ou em dupla com Luciano — acumulou R$ 22,5 milhões em contratos com prefeituras e governos estaduais do Nordeste entre 2024 e junho de 2026.

Os dados revelam que o montante total de recursos públicos destinados a apresentações do cantor em todo o país chega a R$ 92,4 milhões no mesmo período. Em diversos casos, os cachês pagos por municípios de pequeno porte e com indicadores sociais precários chamam a atenção. Em Vertentes (PE), por exemplo, a prefeitura desembolsou R$ 1,25 milhão por um show em março de 2026, utilizando como justificativa de preço uma nota fiscal de um evento privado em um cruzeiro.

Outro caso citado pelo levantamento é o de São João da Canabrava (PI), que pagou R$ 650 mil por uma apresentação. O valor destoa da realidade local, onde, segundo o Censo de 2022, a grande maioria da população ainda dependia de fossas rudimentares ou buracos para o esgoto. O posicionamento do cantor ocorre em um momento em que a campanha de Flávio Bolsonaro tenta minimizar o desgaste causado por propostas de mudanças no Bolsa Família.

Em resumo

  • Zezé di Camargo criticou o Bolsa Família, chamando-o de "esmola", dias após se encontrar com Flávio Bolsonaro.
  • O cantor recebeu R$ 22,5 milhões em verbas públicas no Nordeste entre 2024 e meados de 2026.
  • Levantamento aponta R$ 92,4 milhões em contratos públicos para o artista em todo o Brasil no período.
  • Prefeituras de cidades com baixo IDH e infraestrutura precária pagaram cachês milionários ao sertanejo.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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